Mal a conferência de Copenhague começou e os céticos do clima atacam. O delegado da Arábia Saudita, Mohammed Al-Sabban, disse duvidar do aquecimento do planeta.

Na sua opinião, os trabalhos dos climatologistas não valem nada e é preciso submetê-los a algum tipo de controle.

O golpe era esperado. Há um mês uma questão agita a blogosfera. Em novembro, piratas da internet penetraram nos servidores do Centro de Pesquisas Climáticas (CRU) da Universidade de East Anglia, no Reino Unido. Seu diretor, Phil Jones, tem papel considerável na luta contra o aquecimento. Os piratas recuperaram 13 anos de mensagens transmitidas entre a CRU e seus equivalentes europeus e americanos.

Dessas informações, extraíram e-mails que demonstrariam que os climatologistas fraudaram estatísticas a fim de levar a crer que o aquecimento do planeta é mais trágico do que é na verdade. Esses documentos são exibidos na rede há um mês. Mas não são tão convincentes, com exceção de um: uma mensagem de Phil Jones, que, em 1999, explicava que recorreu a um "estratagema" para "mascarar a queda das temperaturas". Ele teria dito mais ou menos isso: "As temperaturas vêm caindo, mas, como pretendemos lutar contra o CO2, consegui maquiar as curvas e afirmar que o planeta estaria aquecendo, quando na realidade está esfriando".

A afirmação é "aberrante" e, como disse ontem um porta-voz de Obama, um "pouco idiota". É impossível negar a elevação das temperaturas. As provas são esmagadoras: o calor no sertão brasileiro, a angústia dos ursos polares, as inundações em Bangladesh, a multiplicação das perturbações atmosféricas, etc. O caso dos e-mails confirma que a luta contra o aquecimento esbarra num terrível lobby financiado por alguns setores da economia e países que se batem para proteger suas atividades poluidoras.

Uma pesquisa da polícia britânica esclarece em parte o que é esse lobby, seus métodos, sua geografia. Os sites que difundem o "catecismo" dos céticos do clima são criados na Rússia e na Arábia Saudita, países cuja economia se baseia nos hidrocarbonetos.

Não surpreende que a primeira ofensiva dos céticos do clima em Copenhague tenha sido liderada pelo delegado da Arábia Saudita, Mohammed Al-Sabban. A Arábia depende do petróleo.

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