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Cooxupé prevê dificuldades para cafeicultores em 2009

São Paulo, 23 - Os produtores de café devem ter mais um ano de dificuldades em 2009. O problema é que os preços recebidos em 2008 não foram suficientes para remunerar o cafeicultor.

Agência Estado |

Os custos de produção subiram, mas as cotações do grão não acompanharam esse aumento na mesma proporção. "O produtor faria caixa para 2009, quando a safra deverá ser baixa, mas os preços do café não reagiram", diz o presidente da Cooperativa Regional dos Cafeicultores em Guaxupé (Cooxupé), Carlos Alberto Paulino da Costa.

O custo de produção do café varia de região para região. No entanto, em média, estima-se que o total alcance cerca de R$ 300 a saca de 60 kg. Conforme Paulino da Costa, os preços dos fertilizantes subiram muito, por conta da alta do petróleo. Além disso, a mão-de-obra para colheita, que tem grande participação na formação do custo total de produção, esteve cara e escassa. Assim, com exceção de picos de alta e de baixa sazonais, as cotações do café no mercado interno em 2008 mantiveram-se praticamente estáveis entre R$ 250/R$ 260 a saca.

A crise internacional, cujo momento mais dramático ocorreu em meados de setembro, com o pedido de concordata do banco de investimento norte-americano Lehmann Brothers, foi apenas mais um ingrediente no quadro geral de dificuldade da cafeicultura. Os preços das commodities caíram no mercado internacional, mas o café até que resistiu, em parte porque a cultura já enfrentava baixos preços antes da crise, avalia Paulino da Costa. Os preços dos fertilizantes retrocederam depois da crise, acompanhando a baixa do petróleo. As compras do produto, no entanto, são limitadas diante do cenário de incertezas.

Paulino da Costa considera que existem propostas de medidas de apoio à cafeicultura, as quais devem ter como sustentação a redução da oferta e estímulo a uma alta de preço. A principal delas é a realização de leilões de opção de venda ao governo. A proposta já foi aprovada pelo Conselho Deliberativo de Política Cafeeira (CDPC), mas precisa ser referendada pela área econômica do governo. Em linhas gerais, seriam necessários recursos da ordem de R$ 1 bilhão, para retirar do mercado cerca de 3 milhões de sacas de café.

Outra medida em estudo é a conversão da dívida dos cafeicultores com pagamento em produto. A idéia é que os produtores destinem 5% da produção anual para o pagamento da dívida calculada até 31 de dezembro deste ano e o restante seja liquidado de acordo com o valor da dívida e do volume de café colhido pelo produtor mantendo a relação de 5% da produção. A dívida está estimada em R$ 2 bilhões. O presidente da Cooxupé salienta que a dívida do setor é relativamente pequena, levando em conta o benefício em cadeia que pode proporcionar ao agronegócio. Ele pondera, no entanto, que o café, que já foi o principal item da pauta de exportação do País, tem perdido espaço no jogo de pressão política.

IEA - O pesquisador Celso Vegro, especialista no mercado café do Instituto de Economia Agrícola (IEA), da Secretaria de Agricultura de São Paulo, diz que 2009 para a cafeicultura não deve ser muito diferente em relação a 2008, ou seja, os preços devem ficar na margem mínima de remuneração. Alguns produtores, com boa produtividade, vão conseguir escapar do prejuízo. Segundo ele, em melhor situação deverão ficar os importadores de café e as tradings internacionais, que vão conseguir recompor margens, graças à desvalorização do real e do próprio café ante o dólar.

Conforme Vegro, os produtores de café devem amargar mais um ano de dificuldades em 2009. A compra dos insumos para a próxima safra foi realizada em momento de pico de alta dos preços. As cotações do adubo chegaram a dobrar este ano, por causa da alta do petróleo. "O cafeicultor teve de economizar com insumos e isso deve comprometer a produtividade das lavouras".

Ele acrescenta que, historicamente, no período de dezembro a março os preços internacionais do café tendem a subir, em virtude da redução da oferta de países produtores. "É o melhor momento para vender, mas as cotações do café não reagiram e nem devem reagir". Segundo Vegro, a crise internacional provoca muita incerteza e as commodities sofrem com a fuga de investidores. Nesse sentido, o pesquisador prevê que, mesmo com a normalização do ambiente financeiro, os preços do café podem alcançar nos melhores momentos de 2009 algo em torno de R$ 300 a saca de 60 kg.

Vegro acrescenta que o Vietnã, segundo maior produtor de café do mundo, atrás apenas de Brasil, vêm recompondo estoques, o que sinaliza oferta garantida à frente. Em compensação, os preços do produto são pouco atrativos, o que impede a instalação de novas lavouras no mundo.

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