Brasília, 11 - O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, disse hoje a representantes do setor cooperativista que o governo vai avaliar o impacto das medidas de apoio ao setor rural e poderá adotar novos mecanismos para financiar a atividade agrícola. A informação é do presidente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Márcio Lopes de Freitas.

Em reunião, o presidente da OCB apresentou uma "agenda positiva" do setor cooperativista como seis medidas emergenciais.

O primeiro pedido é para adequação dos processos de garantia. Segundo ele, os produtores apresentaram garantias para conseguir empréstimos e essas parcelas estão sendo pagas ao longo dos últimos anos. No entanto, 100% da garantia apresentada continua retida, o que impede a contratação de novos empréstimos.

Um dos pedidos é para ampliação das linhas de crédito oferecidas pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para o setor agrícola. De acordo com Lopes de Freitas, apenas 3,5% do planejamento do banco até 2014 será investido no setor rural. "Representamos 60% da economia do País. É justo que fiquemos com uma parcela maior das linhas do BNDES", afirmou.

Ele também disse que o governo poderia liberar créditos fiscais que estão retidos, especialmente de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e prestação de Serviços (ICMS), PIS e Cofins. Ele estima que apenas o setor cooperativista tenha R$ 1 bilhão em créditos retidos. Na semana passada, o governo anunciou a ampliação do prazo para recolhimento de impostos federais, mas a medida, segundo a OCB, não traz alívio para o setor no momento de crise internacional.

Financiamento da Safra

Outra solicitação é para liberação de mais recursos para financiamento da safra, como medida emergencial para abastecer o setor em meio à crise internacional. "O dinheiro previsto no plano de safra ficou muito aquém da realidade deste momento", disse Freitas. O terceiro pedido é para correção dos preços mínimos de garantia, o que pode, segundo ele, permitir o financiamento aos produtores rurais. "O preço mínimo daria confiança aos bancos para que eles emprestassem aos produtores", afirmou.

Um último pedido apresentado pela OCB é a liberação de R$ 2,5 bilhões para o programa de capitalização das cooperativas agrícolas. As cooperativas de crédito já receberam R$ 1 bilhão para capital de giro e a OCB defende a alocação de mais R$ 400 milhões para esta finalidade.

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