Teresa Bouza. Washington, 13 out (EFE).- O Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial (BM) concluíram hoje em Washington sua assembléia anual, dominada pela crise financeira mundial e pelo compromisso da comunidade internacional de atuar de forma coordenada frente aos problemas econômicos.

A assembléia começou no sábado, um dia depois de o pânico se apossar dos mercados globais e só poucas horas mais tarde de os representantes do G7 (países mais ricos) se comprometerem, também em Washington, a empreender uma série de medidas sem precedentes para conter as perdas gigantescas nas bolsas.

No sábado, os 185 ministros da Economia agrupados no Comitê Monetário e Financeiro Internacional, principal órgão diretor do FMI, deram um "enérgico" respaldo ao plano de ação do G7.

E no domingo, a maior associação de banqueiros do mundo, o Instituto de Finanças Internacionais, advertiu sobre a urgência do momento, ao alertar que as próximas 24 horas seriam críticas.

O alerta deu resultado imediato e drástico na Europa. Os 15 primeiros-ministros e presidentes da zona do euro aprovaram ontem um plano que inclui garantias estatais para dívidas a curto e médio prazo dos bancos, assim como injeções públicas de capital nas entidades.

Já os EUA anunciaram hoje que trabalham rapidamente para levar adiante seu plano de resgate financeiro.

Entre as ações previstas figuram desde a compra direta de hipotecas de bancos, até a aquisição de ações em entidades em bom estado e de títulos vinculados a hipotecas com altos níveis de inadimplência.

As extraordinárias medidas do fim de semana não passaram despercebidas nos mercados, que fecharam em alta desde Hong Kong a Londres e Nova York.

No fechamento em Wall Street, o índice Dow Jones Industrial registrava a maior alta em um dia de sua história, 936,42 pontos (11,08%).

Apesar das altas em bolsas, o FMI lembrou hoje que ainda fica um duro e incerto percurso pela frente.

"O fim de semana é só o princípio de um longo esforço", disse Dominique Strauss-Kahn, diretor-gerente do FMI, que alertou que os países emergentes poderiam precisar de ajuda em qualquer momento, "e possivelmente um auxílio muito substancial".

Segundo ele, as nações desenvolvidas, por sua parte, precisam "utilizar todos os instrumentos da política macroeconômica moderna para limitar os danos sobre a economia real".

Os países que puderem, recomendou Strauss-Kahn, deveriam se preparar para um pacote mais amplo de estímulo fiscal.

Do Banco Mundial, seu presidente, Robert Zoellick, pediu hoje a modernização da arquitetura financeira internacional para que reflita melhor a atual economia do globo, na qual países emergentes como Brasil, China e Índia têm um crescente protagonismo.

Ao sentido de urgência dos últimos dias se uniu o sentimento de que vivemos o fim de uma era, em que mercados eram elevados a uma categoria que não condizia com a realidade.

O ministro da Fazenda Guido Mantega afirmou no sábado, em Washington, que a crise financeira revelou fragilidades sistêmicas e erros nas políticas dos países desenvolvidos que durante anos eram tomados como exemplo.

Mantega previu que uma vez que a crise for superada haverá uma maior regulação e se reconhecerá a importância do setor público na solução e no estabelecimento de mecanismos de supervisão.

O magnata George Soros é um dos que pensam que a crise mundial com epicentro nos EUA representa um ponto de inflexão.

Ontem, Soros culpou a fé no mercado, que começou há uma geração durante o mandato do presidente americano Ronald Reagan (1981-1989) e da primeira-ministra britânica Margaret Thatcher (1979-1990), pelas atuais turbulências.

Segundo o multimilionário, a noção de que os mercados corrigem seus excessos levou a uma expansão em massa do financiamento da dívida que culminou com as hipotecas de alto risco.

Para ele, isso personificou a mentalidade do dinheiro fácil, raiz do desastre atual.

Essa etapa, de acordo com Soros, chegou ao fim, o que envolverá um ajuste muito sério para os EUA. EFE tb/rr

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