A cobertura previdenciária voltou a crescer no Brasil em 2007 e, pela primeira vez na história do País, o porcentual de contribuintes para a Previdência Social é maior que 50% da força de trabalho, segundo mostra a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgada hoje pelo IBGE.

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A pesquisa revela que, em 2007, 46,1 milhões de trabalhadores no Brasil contribuíam para Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em qualquer um dos trabalhos que tinha, com aumento de 5,7% em relação a 2006.

Enquanto em 2006 o porcentual de trabalhadores que contribuíam para a Previdência era de 48,8%, em 2007 chegou a 50,7%. A expansão ocorreu em todas as regiões do País.

Entre as atividades, a administração pública registrou o maior porcentual de contribuintes (85,8%) no total de ocupados, enquanto o menor porcentual estava nas atividades agrícolas (15,4%).

O presidente do IBGE, Eduardo Nunes, considera o aumento da contribuição dos trabalhadores para a previdência social como um dos principais avanços revelados pela Pnad. Segundo ele, o fato de que mais de 50% da força de trabalho do País já contribuiu para a Previdência é um fator que poderá ajudar "na própria redução do déficit na previdência".

Para Nunes, o avanço no porcentual de contribuinte dilui o problema atual de déficit previdenciário mas não impede que o envelhecimento rápido da população brasileira venha a se tornar um problema nos próximos 20 a 30 anos, quando haverá um descasamento entre o tempo de contribuição e os benefícios.

Trabalho infantil

O trabalho infantil voltou a cair no Brasil em 2007, mas permanece em nível elevado, segundo a Pnad. No ano passado, do total de 44,7 milhões de crianças e adolescentes de cinco a 17 anos de idade, 4,8 milhões estavam trabalhando. A pesquisa mostra redução em relação a 2006, quando havia no País 5,1 milhões de trabalhadores nessa faixa etária. A proporção de crianças e adolescentes trabalhadores nessa faixa etária passou de 11,5% em 2006 para 10,8% em 2007.

Os dados da Pnad mostram que o rendimento é um fator determinante para o trabalho infantil no País. Enquanto o rendimento médio domiciliar por habitante total no Brasil em 2007 foi estimado em R$ 653,00, as crianças e adolescentes ocupados de cinco a 17 anos de idade tinham origem em domicílios cujo rendimento médio domiciliar por habitante estavam em torno de R$ 318,00.

A relação entre renda e trabalho infantil fica ainda mais evidente quanto menor a faixa de idade. O contingente de 16,1 milhões de crianças de cinco a nove anos de idade que trabalhavam no País em 2007 tinha origem em domicílios cujo rendimento médio domiciliar por habitante estava em torno de R$ 189,00.

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