SÃO PAULO - Os contratos de juros futuros começam a semana com viés de baixa na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F). Segundo o estrategista de renda fixa da Coinvalores, Paulo Nepomuceno, o mercado trabalha com a ideia de ajuste mais forte na taxa de juros no curto, o que reduz a incerteza com relação à inflação no longo prazo.

SÃO PAULO - Os contratos de juros futuros começam a semana com viés de baixa na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F). Segundo o estrategista de renda fixa da Coinvalores, Paulo Nepomuceno, o mercado trabalha com a ideia de ajuste mais forte na taxa de juros no curto, o que reduz a incerteza com relação à inflação no longo prazo. Por isso, a queda mais acentuada nos contratos de vencimento mais dilatado. Por volta das 12 horas, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em julho de 2010 marcava estabilidade, a 10,13%. Agosto de 2010 não era negociado. E janeiro de 2011, referência de mercado, marcava 11,30%, também sem alteração. Entre os longos, o DI para janeiro de 2012 devolvia 0,02 ponto, a 12,16%. Janeiro 2013 recuava 0,05 ponto, projetando 12,19%. E janeiro 2014 declinava 0,05 ponto, apontando 12,16%. Ainda de acordo com o especialista, outro fator que estaria contribuindo para o comportamento da curva é a expectativa de que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15) de junho poderá ficar abaixo das expectativas. Segundo o especialista, a mediana das previsões ronda 0,35%, mas algumas casas trabalham com variação ao redor de 0,15%. Vale lembrar que, em maio, o indicador tinha apontando 0,63%. O resultado será conhecido amanhã. Na agenda do dia, o Boletim Focus, do Banco Central (BC), não mostrou alteração na expectativa de inflação para 2010. A mediana aponta Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 5,61% no fechamento do ano. Sem alteração também para 2011, com inflação em 4,80%. A expectativa do estrategista era de uma nova redução na projeção, principalmente por conta dessa melhora esperada para os dados de inflação corrente. A sondagem do BC mostrou, no entanto, uma alteração na expectativa dos agentes com relação à taxa Selic. O consenso, que era de juros em 11,75% no fechamento do ano, mudou para 12%. E pela 14ª semana consecutiva a previsão para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) foi colocada para cima, de 6,99% para 7,06%. Olhando agora para o noticiário externo, Nepomuceno aponta que a decisão da China de retomar o processo de flexibilização da sua moeda pode ter algum impacto na inflação local. A questão é que a valorização do yuan resultaria em aumento no preço das commodities. Em tese, diz o especialista, se isso acontecer, o Brasil poderia passar a importar inflação. Nepomuceno afirma que o mercado não dá atenção para isso agora, pois esse processo de maior flutuação da moeda chinesa será bastante gradual. (Eduardo Campos | Valor)

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