SÃO PAULO - Os contratos de juros futuros seguem com viés de alta na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F). Segundo o analista econômico da Mercatto Investimentos, Gabriel Goulart, a curva reflete a percepção de um ciclo mais intenso de alta de juros.

SÃO PAULO - Os contratos de juros futuros seguem com viés de alta na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F). Segundo o analista econômico da Mercatto Investimentos, Gabriel Goulart, a curva reflete a percepção de um ciclo mais intenso de alta de juros. Por volta das 12h05, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em maio não registrava oscilação, apontando 8,74%. Julho de 2010 subia 0,01 ponto, a 9,37%. E janeiro de 2011 avançava 0,01 ponto, a 10,68%. Entre os vencimentos mais longos, janeiro de 2012 subia 0,05 ponto, a 11,95%. Janeiro 2013 também ganhava 0,05 ponto 12,36%. E janeiro 2014 acumulava 0,04 ponto, a 12,48%. Tal postura mais defensiva do mercado, segundo Goulart, tem respaldo nos indicadores de atividade que continuam surpreendendo para cima. O número do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), que mostrou contratação recorde de 657.259 mil trabalhadores no trimestre, contribui para esse cenário. Com base nesses dados, aquela ideia de acomodação da atividade no começo de 2010 vai se mostrando cada vez mais ultrapassada. Isso implica, também, maiores projeções para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em todo o ano de 2010. Na visão de Goulart, podemos ter um novo pico de crescimento no começo do ano, o que enterraria a visão de que a atividade teve seu ponto máximo de retomada no quarto trimestre do ano passado. Para esses três primeiros meses de 2010 um crescimento acima de 2% não causa mais surpresa, o que obriga uma revisão da estimativa de alta do PIB de todo o ano de 5,5% para 6% a 6,5%. Essas novas perspectivas impactam diretamente a política monetária, que precisa se ajustar a essa nova realidade de crescimento maior do que o previsto. Com isso, o aperto anteriormente programado na taxa Selic também precisa ser revisto. "Temos uma combinação ruim para os juros, com atividade e inflação elevadas", diz o analista. Para Goulart, em função da falta de clareza na comunicação do Banco Central, fica difícil cravar uma aposta para a reunião de abril do Comitê de Política Monetária (Copom). Mas o analista credita maior probabilidade a uma alta de 0,75 ponto. Na gestão da dívida pública, o Tesouro vende Letras do Tesouro Nacional (LTN) e Notas do Tesouro Nacional Série F (NTN-F). (Eduardo Campos | Valor)
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