O Líbano decidiu ir à luta para defender alguns de seus maiores bens, como o quibe, o falafel, o tabule, a esfiha e o hommus. O inimigo é o mesmo de sempre: Israel.

O presidente da Associação das Indústrias Libanesas, Fadi Abboud, anunciou que o país tentará patentear esses pratos da mesma forma que os gregos fizeram com o queijo feta e os franceses com o champagne.

O objetivo, afirma Abboud, é impedir que Israel continue anunciando alguns desses pratos como típicos da culinária israelense. "A situação é grave. Em Londres, produtos como a coalhada e o hommus são vendidos como se fossem gregos e israelenses", disse Abboud ao Estado. De acordo com o industrial libanês, com a comida do Mediterrâneo Oriental na moda, a definição de quem a inventou se torna muito importante. "Vamos tentar provar que esses pratos têm origem no Líbano para patenteá-los", acrescentou.

Indagado sobre se havia como provar que o quibe, por exemplo, não seria originário da Síria ou mesmo da região da Palestina histórica, onde hoje está Israel, Abboud respondeu que o problema não é com os palestinos ou os sírios, que até poderiam patentear os nomes com os libaneses. "O problema é Israel", insistiu. Para os libaneses, dizer que o quibe ou a esfiha são israelenses equivale a afirmar que Pelé e Garrincha são argentinos.

Sobre o Brasil, onde há até redes de fast-food que vendem quibes e esfihas, Abboud disse que quem introduziu esses pratos no Brasil foram libaneses no final do século 19. Ao mesmo tempo, criticou as exportações brasileiras desses produtos. Hommus e falafel, entre outros pratos, são comuns na Síria, Líbano, Israel e territórios palestinos. Não se sabe quem os criou. Há séculos, cristãos, muçulmanos e judeus de origem árabe consomem esses produtos.

Caso os industriais libaneses tenham sucesso na sua tentativa de patentear os pratos, os brasileiros poderão ser obrigados a chamar o quibe de bolinho de carne. Ou viajar para Zahle, no Vale do Bekaa, que é considerada a capital da culinária libanesa, para poder consumir quibe e hommus sem ter que pagar direitos autorais. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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