Cerca de 25 mil petroleiros, de um total de 40 mil, paralisaram hoje suas atividades em protesto contra a realização da 10ª Rodada de Licitações de Áreas Exploratórias da Agência Nacional do Petróleo (ANP), prevista para ocorrer na quinta e sexta-feira desta semana (dias 18 e 19). Os primeiros dados sobre a paralisação no País ainda estão sendo levantados pela Federação Única dos Petroleiros (FUP), que informou nesta manhã este balanço parcial sobre a paralisação, iniciada a zero hora de hoje.

A paralisação terá 24 horas, explicou o coordenador da FUP, José Antônio de Moraes. Estão parados trabalhadores dos Estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Espírito Santo, Paraná, Rio Grande do Norte, Santa Catarina e Amazonas. Há também alguns focos de paralisação entre terceirizados, mas a FUP não soube informar quantos seriam.

A Petrobras ainda não se manifestou sobre a parada nem informou de que maneira isso pode afetar a produção e o refino. Historicamente, paradas de até 24 horas não oferecem prejuízo à empresa, porque ainda não permitem a suspensão de atividades de produção ou refino. Há a manutenção dos trabalhos por funcionários que permanecem na empresa, em substituição aos que não puderam entrar para iniciar seu turno.

"Nosso objetivo não é prejudicar a empresa ou a produção, mas apenas enviar um recado sobre o que não concordamos na atual Lei do Petróleo", disse Moraes. A Federação defende que, após as descobertas das mega reservas do pré-sal na Bacia de Santos, haja uma revisão do marco regulatório que impeça a concessão de novas áreas exploratórias a empresas privadas.

A 10ª Rodada já é um reflexo desta preocupação que também é do governo federal. Enquanto não terminam os trabalhos de comissão interministerial criada para discutir um novo marco para o petróleo, o leilão da ANP deste ano oferece apenas blocos em terra, o que afasta qualquer possibilidade de uma reserva de grande porte, semelhantes às do pré-sal brasileiro, serem arrematadas.

Mesmo assim, a FUP informou já ter impetrado diversas ações judiciais em vários pontos do País para tentar obter uma liminar que casse o leilão na próxima quinta-feira. "Se não houver desistência da realização deste leilão, aí sim vamos partir para uma paralisação mais pesada", ameaçou Moraes.

Além da parada da produção, ocorrida com a interrupção da entrada dos funcionários do turno da zero hora, a FUP está realizando uma série de manifestações de protesto em todo o País. Ontem, manifestantes invadiram o Ministério de Minas e Energia em Brasília. Para hoje, estava programada uma manifestação de protesto na região central do Rio, nas proximidades da Candelária, mas a chuva atrapalhou o protesto, que não reuniu o número esperado de sindicalistas de acordo com a organização. Um balanço nacional do protesto deve ser divulgado por volta do meio-dia.

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