Tráfego intenso no site, mas sem obter receita com isso, não vale nada, afirmou ontem o presidente do conselho de administração e diretor editorial do Grupo Abril, Vitor Civita, para endossar o que considera inevitável para as empresas jornalísticas: a cobrança por seus conteúdos nos meios digitais. Esse é um ponto de vista que vem se consolidando entre os empresários do setor.

Rupert Murdoch, dono do conglomerado News Corp, por exemplo, anunciou esta semana que estuda bloquear o acesso a jornais de seu grupo, como o Wall Street Journal, até mesmo em sites de buscas como o Google. Ele considera que essa prática é parasitária, ao aferir receita sem arcar com os custos.

"É ilusório achar que a publicidade vai pagar por nosso conteúdo", disse Civita durante apresentação no III Fórum da Associação Nacional de Editores de Revistas (ANER), ontem em São Paulo. "Se conseguiram fazer com que as pessoas paguem por água engarrafada, porque nós não vamos conseguir que paguem por nosso conteúdo online?"
MUDANÇAS
Se o cenário no Brasil tem sido positivo para o setor de impressos e tem espaço para expansão, nos Estados Unidos e na Europa o processo de migração do papel para o online é mais acelerado. Nas projeções do inglês Chris Llewellyn, presidente da Fipp, a maior entidade do setor de revistas da Inglaterra, não há dúvidas de que o negócio tem de se reposicionar em busca de faturamento. "Até 2013, a receita publicitária ainda virá, cerca de 60%, dos meios tradicionais nos mercados maduros", disse. "Mas, a partir daí, migrará para as plataformas digitais."
A questão que mobiliza os empresários do meio, aqui e lá fora, é comum: como gerar receita nos canais online. "Basta encarar os meios digitais como plataforma de distribuição", insistiu Llewellyn. "Os publicitários e editores devem ter essa crença como chave para seus negócios." Para ele, os anunciantes valorizam propaganda com valor diferenciado. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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