O chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes, disse que o déficit em conta corrente do balanço de pagamentos do País de 2008 (US$ 28,3 bilhões) é o pior resultado desde 1998, quando as transações correntes do País com o exterior amargaram déficit de US$ 33,416 bilhões. Altamir afirmou que, a despeito da crise, as contas externas brasileiras não apresentaram deterioração tão expressiva como em crises anteriores, principalmente porque o Brasil reduziu o seu nível de endividamento externo e passou a ser credor líquido nos últimos meses.

Ele explicou que, antigamente, as crises aumentaram drasticamente o gasto com juros da dívida externa. Em 2008, mesmo com a crise, o gasto com juros - US$ 7,232 bilhões - foi o menor desde 1994, quando a despesa totalizou US$ 6,337 bilhões. "Hoje, temos receitas maiores e menos despesas", afirmou.

O chefe do Depec também destacou o recorde no ingresso de Investimento Estrangeiro Direto (IED) em 2008 - US$ 45,060 bilhões. "A trajetória do IED mostra que a perspectiva das empresas que investem no Brasil é de médio e longo prazos e revelam que há confiança na melhora das condições econômicas do futuro", afirmou.

Para os próximos meses, Altamir afirmou que espera "acomodação nas saídas de recursos" , principalmente na Bolsa de Valores e na renda fixa. Na avaliação do chefe do Departamento Econômico do BC, essa retração deve acontecer porque o estoque em dólares dos investimentos diminuiu.

Crise e crédito

Altamir Lopes disse que a crise financeira mundial tem se manifestado no Brasil principalmente na oferta de crédito às empresas. Segundo ele, os indicadores de rolagem de dívida externa mostram que desde a quebra do banco de investimentos norte-americano Lehman Brothers, em setembro de 2008, o acesso ao crédito externo "piorou significativamente".

Altamir avalia que a taxa de rolagem de empréstimos externos continua baixa, mas já há sinais de melhora. "A regularização deve acontecer em tempo de meses", afirmou. Com crença de que o mercado de crédito deve voltar à normalidade, Altamir reafirmou a previsão de que 2009 deve terminar com a renovação de 100% das dívidas externas.

O chefe do Depec chamou a atenção para o fato de que muitas empresas que não conseguiram rolar duas dívidas tiveram de quitar os compromissos no exterior e, por isso, a dívida externa de curto prazo caiu cerca de US$ 10 bilhões entre setembro e dezembro de 2008. Em setembro, o endividamento de curto prazo somava US$ 47,5 bilhões e a cifra caiu para US$ 37,4 bilhões em dezembro.

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