BRASÍLIA - Deficitária em US$ 20,6 bilhões entre janeiro e agosto, à beira dos US$ 21 bilhões negativos projetados para todo 2008, a conta corrente externa foi revista pelo Banco Central (BC), que agora espera déficit de US$ 28,8 bilhões no ano. Remessas de lucros recordes das multinacionais e menores receitas de aplicações do setor privado no exterior estão entre as justificativas.

Para setembro, a autoridade monetária prevê um déficit de US$ 1,7 bilhão, ante US$ 1,09 bilhão negativos na conta corrente verificados em agosto.

"Esse piora na conta corrente reflete o que foi apurado até agosto, com remessas mais fortes de lucros e dividendos, juros maiores, déficits recordes nas viagens internacionais e menores ingressos do setor privado", explicou o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes.

Com a crise internacional, empresas brasileiras "fizeram ingressos abaixo do esperado" de rendimentos de disponibilidades aplicadas no exterior, disse Lopes.

Até agosto, a saída líquida da conta de juros atingiu R$ 5,03 bilhões, o que levou o BC a aumentar a projeção para o ano, de US$ 4,9 bilhões para US$ 7,3 bilhões.

A conta de serviços e rendas teve o déficit aprofundado para US$ 40,038 bilhões de janeiro a agosto. Com isso, o BC agora espera resultado negativo de US$ 57,6 bilhões até dezembro, ante projeção anterior deficitária em US$ 49,8 bilhões.

A maior pressão para esse desempenho vem das remessas de lucros e dividendos das multinacionais, que quase dobrou no período. Somaram US$ 24,06 bilhões até agosto, ante US$ 13,29 bilhões no mesmo intervalo de 2007.

Assim, a autoridade monetária elevou de US$ 29 bilhões para US$ 33 bilhões, a projeção para o montante global das remessas de lucros e dividendos neste ano.

Lopes destacou ainda que a conta de viagens internacionais, favorecida pelo preço mais baixo do dólar americano, voltou a bater recordes negativos em agosto. Ficou deficitária em US$ 523 milhões no mês, acumulando US$ 3,996 bilhões negativos nos oito primeiros meses do ano.

Mesmo com a recuperação de preço do dólar, o técnico do BC não acredita em desestímulo dos viajantes brasileiros ao exterior, prevendo a cifra recorde de US$ 6,2 bilhões para o déficit das viagens internacionais em todo o ano de 2008.

(Azelma Rodrigues | Valor Online)

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