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A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) chegou a abrir em alta nesta sexta-feira, mas inverteu o sinal seguindo as perdas dos mercados acionários norte-americanos e se firmou em terreno negativo e fechou em leve queda.

O Ibovespa encerrou com perda de 0,57%, aos 35.789 pontos. Com essa perda, o índice fecha a semana com variação negativa de 2,39%. A baixa está em 3,93% no mês e em 43,97% no acumulado do ano.

As perdas do dia foram reduzidas no ajuste final de posições, com os investidores seguindo a mudança de direção do índice Dow Jones, que passou a apontar para cima, revertendo a acentuada perda do período da tarde.

Repetindo a sessão de ontem, a volatilidade foi bastante grande, com oscilações fortes tanto aqui quanto lá fora, resume o diretor de investimentos da Prosper Gestão de Recursos, Júlio César Martins.
Segundo o especialista, os dados apresentados nos Estados Unidos confirmam, mais uma vez, o desaquecimento da economia e o mercado reflete isso.

Pela manhã, o Departamento de Comércio dos EUA anunciou que as vendas no varejo caíram 2,8% em outubro, marcando o quarto mês seguido de retração. O resultado é o pior resultado da série histórica iniciada em 1992.

Para o diretor, no curto prazo, o fluxo de recursos para bolsa segue descolado de fundamentos, pois não dá para saber qual será o tamanho da recessão que se forma e o impacto disso nas empresas. "O fluxo fica à mercê do noticiário. A liquidez caiu de forma significativa e muita gente que tinha que fazer caixa, já fez."

Dentro desse ambiente, Martins aponta que os negócios do pregão são dominados pelos operadores de intradia (traders). "Tem pouco tomador final, aquele que faz posição de médio e longo prazo. Quem está entrando é o investidor de giro, o que soma volatilidade."

Segundo Martins, é consenso que o mundo vai crescer menos e que o resultado das empresas vai cair, mas ninguém sabe dizer se isso já está no preço das ações. "A dúvida é saber até que ponto essa queda no preço das ações já embute esse desaquecimento."

No âmbito corporativo, os papéis da Petrobras puxaram as perdas, caindo 1,61%, para R$ 20,76. Com o quarto maior volume do dia, Usiminas PNA cedeu 4,67%, para R$ 21,80. BM & FBovespa ON fechou a R$ 5,08, queda de 5,57%.

Destoando da maioria das ações, Vale PNA passou por uma breve recuperação no final do dia fechando com alta de 1,07%, a R$ 24,50. Ganho também para Bradesco PN, que subiu 0,84%, para R$ 23,95.

Dólar

Depois de fechar em alta por quatro dias seguidos, o dólar teve uma queda expressiva nesta sexta-feira, em um movimento de ajuste.

A moeda americana encerrou a semana cotada a R$ 2,271, com queda de 4,42%.  Para analistas, a alta do dólar era excessiva e estimulada por pressões no mercado futuro.

"Foi mais um movimento especulativo para formação de taxa do que qualquer outra coisa, pois notícias positivas não foram apresentadas", resume o diretor de câmbio do Banco Paulista, Tarcísio Rodrigues.

Para o especialista, o comportamento inusitado do dólar, hoje, que caiu forte apesar da cena externa negativa, reflete a formação da Ptax (media das cotações ponderada pelo volume) para liquidação as operações de swap cambial. "Tivemos uma movimentação muito grande na BM & F."

Esta semana, o Banco Central injetou no mercado cambial US$ 4,682 bilhões, por meio de dez leilões - seis ofertas de contratos de swap cambial (com venda de cerca de US$ 2,5 bilhões), três de venda direta (de cerca de US$ 850 milhões) e uma operação direcionada ao comércio exterior (de US$ 1,302 bilhão).

O total vendido em swap cambial inclui o leilão de hoje. Na operação desta sexta-feira, o Banco Central vendeu integralmente a oferta de 14 mil contratos de swap cambial com vencimentos em 2 de fevereiro de 2009. A oferta somou US$ 688,7 milhões.

(Com informações da Reuteres e Valor Online)

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