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Consumo sustenta PIB, mas poupança limita

O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro caiu 0,2% em 2009. É a primeira queda desde 1992, o que significa que o país ficou mais pobre em 2009, se comparado com 2008.

Agência Estado |

Entretanto, os dados do segundo semestre do ano mostram que esta perda de riqueza ficou para trás. No terceiro e no quarto trimestres de 2009, comparado com o segundo e o terceiro trimestres, o PIB cresceu 1,7% e 2,0%, respectivamente. Esse forte crescimento, na margem, sinaliza que 2010 deverá ser um ano de recuperação do crescimento.

Entre os componentes do PIB, os que se destacaram foram o consumo das famílias e do governo, do lado da demanda, e o setor serviços, do lado da oferta. O consumo das famílias cresceu 4,1% e o do governo 3,7% em 2009. Por outro lado, enquanto os setores industrial e agrícola mostraram retração de 5,5% e 5,2%, respectivamente, o setor serviços cresceu 2,6%. Como o setor serviços corresponde a mais de 60% do PIB, seu crescimento foi suficiente para compensar a queda dos outros dois setores na economia.

Os dados apresentados nos parágrafos anteriores mostram que a retomada do crescimento foi alavancada pelo aumento do consumo das famílias e do governo. Como o consumo cresceu forte e a renda total caiu, o resultado foi uma queda acentuada da poupança. A taxa de poupança da economia passou de 18% do PIB em 2008 para 14,6% PIB em 2009, o menor nível desde 2001. Da mesma forma, a taxa de investimento mostrou forte queda, de 18,7% do PIB em 2008 para 16,7% do PIB em 2010. Ao contrário da poupança, o investimento já mostrou sinais de retomada no fim de 2009, quando cresceu 6,6% em relação ao terceiro trimestre. A questão básica é como financiar a retomada do investimento que será necessária para manter o crescimento nos próximos anos, com uma taxa de poupança tão baixa.

Para que a economia cresça 5% ao ano, será necessário uma taxa de investimento de, no mínimo, 20% do PIB quando a capacidade ociosa gerada pela forte redução da produção no início do ano passado acabar. Com uma taxa de poupança de 14,6%, a diferença terá que ser financiada ou por aumento da poupança interna ou por entrada de poupança externa. Porém, a política social brasileira, em grande parte baseada em transferências não condicionadas de renda para idosos desde o início dos anos noventa (pensões), gera um grande incentivo ao consumo, em detrimento da poupança (por que poupar se minha renda na velhice está garantida?). Não é por outra razão que foi necessário quase uma década para que a taxa de poupança passasse de 14% para 18% do PIB nos anos noventa. E, ainda assim, uma taxa muito baixa para os padrões internacionais. Como é pouco provável que isso mude no futuro próximo, sobra a poupança externa. É por isso que o déficit em conta corrente do balanço de pagamentos do Brasil já mostra um forte crescimento no inicio de 2010. Caso essa poupança, por alguma razão, não estiver disponível para financiar o investimento necessário, o resultado será mais inflação. E, para evitar que a inflação saia do controle, o consumo e a economia terão que crescer menos.

O País reagiu rapidamente à crise do fim de 2008 e início de 2009, com aumento do consumo e redução da poupança. Isso foi bom, no curto prazo, pois evitou uma recessão mais profunda. A questão é como induzir um crescimento da taxa de poupança para financiar o aumento do investimento indispensável para a economia crescer, sem gerar déficits insustentáveis nas contas externas. É a herança maldita da crise. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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