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Esta semana foi divulgado o resultado da Pesquisa Trimestral de Intenção de Compra no Varejo, com foco no terceiro trimestre do Programa de Administração de Varejo (Provar), da Fundação Instituto de Administração (FIA), em parceria com a Felisoni e Associados. A pesquisa existe desde 1999 e consiste em avaliar a intenção de consumidores em adquirir bens duráveis e semiduráveis.

O resultado que mais chamou a atenção, principalmente dos empresários, é que o número de pessoas que não pretendem comprar aumentou de 36,8% para 38,2%, em comparação ao segundo trimestre de 2008, o que representa um aumento de 1,4%.

Segundo o coordenador geral do Provar, Claudio Felisoni de Angelo, o aumento da taxa de juros que atualmente encontra-se na faixa de 97% ao ano e o crescimento da inflação acabaram criando um ambiente de incerteza entre os consumidores, fazendo-os recuar nas intenções de compra no terceiro trimestre.

Na pesquisa são analisadas as expectativas de compra em relação às seguintes categorias de produtos: linha branca, eletroeletrônicos, telefonia e celulares, informática, automóveis e motos, cine e foto, material de construção, cama, mesa e banho, móveis e também eletroportáteis. Para este estudo, mais de 500 consumidores foram entrevistados na cidade de São Paulo.

Um dos destaques do resultado é que 61,8% dos participantes têm intenção de comprar entre os meses de julho e setembro.

Este número é superior ao apurado no terceiro trimestre de 2007, que no mesmo período registrou 56,6%. No entanto, é ainda inferior ao segundo trimestre de 2008, quando o índice mostrava 63,2%.

Mais procurados

A pesquisa mostra também que, entre os itens com maior intenção de compra por parte dos consumidores, destacam-se os produtos dos seguintes setores: informática, com 13,8%, e cine e foto, que conta com 12,6%.

Para o setor de informática, por exemplo, o resultado foi positivo segundo o levantamento. Os números mostram que houve um crescimento de 11,2% para 13,8% no período do terceiro trimestre deste ano no consumo dos produtos da área.

"O setor continua ostentando muitos produtos que ainda são objetos de desejo para a maioria das pessoas", afirma De Angelo. O avanço foi possivelmente influenciado pelo interesse crescente dos consumidores das classes C e D por esta categoria de produtos.

O estudo apresenta na seqüência o segmento de linha branca, com 10,6%, acompanhado por telefonia e celulares (9,8%), móveis (6,8%) e eletroportáteis (6,2%). Seguidos de material de construção (5,4%), automóveis e motos (4,0%) e cama, mesa e banho (2%).

Outro quesito avaliado na pesquisa foi a intenção de compras na internet. Apenas 11,6% dos entrevistados disseram que tinham intenção de efetuar compras pela rede. E mais: estas pessoas indicaram ainda a preferência pela compra no varejo tradicional.

O número é inferior ao trimestre anterior, quando o índice mostrava 19%.

Outro dado importante analisado é que a utilização do crediário pelos consumidores também foi reduzida. "O crediário compromete muito a renda mensal e esta forma de pagamento tem sido evitada."