A alta dos preços muda a rotina do consumidor e faz com que a inflação se torne um assunto freqüente de conversas, seja de economistas ou de leigos. E a conversa quase sempre termina em reclamação porque, se por um lado o consumidor não tem dinheiro para comprar, do outro lado do balcão o comerciante reduziu suas vendas e todos sentem que estão perdendo com a escalada da inflação.

Meu salário é o mesmo, mas as coisas aumentaram cerca de 25%, 30%. Antônio Pagannoti, 82 anos, professor aposentado

De um ano para cá, o litro de leite dobrou. O pãozinho francês também. Passou de R$ 0,25 para R$ 0,50 - Antônio Andrade, 75 anos, aposentado

O arroz disparou! Atualmente, não uso tanto arroz. Troco por macarrão, que também subiu, mas é uma forma de minimizar o aumento - Maria de Jesus, doméstica

Todos os clientes reclamam, ninguém está comprando ¿ João Antônio, feirante há 22 anos

"O cliente visita a loja umas cinco, seis vezes antes de comprar, e só compra o estritamente necessário. Por exemplo, só compra um ferro de passar quando o antigo quebra - Cíntia Siqueira, vendedora de loja de utensílios domésticos

O consumidor tem que parar de se endividar. E o consumidor previdente pode aproveitar o momento para poupar, aplicando em renda fixa, ganhando mais com os juros mais altos - Luiza Rodrigues, economista do Banco Santander

A solução para o consumidor é não comprar por impulso, evitar os produtos mais caros e fazer pesquisa ¿ André Brás, economista da FGV

US
Não tem alimento! O problema é que não tem grão!Vamos falar a verdade, o pessoal que produz arroz estava carregando o país nas costas! Imagina, um saco de (cinco quilos de) arroz custava R$ 5,00. Dois pastéis na esquina custam isso! É lógico que é mais interessante vender pastel - João Carlos Almeida, feirante

Achocolatados, legumes e carnes variam muito de preço de acordo com o mercado. Na minha região, compro no atacadão, que é bem mais barato - Espedita Barbosa, empregada doméstica nos Jardins

Com o aumento dos preços, eu compro menos, alterno alimentos, diminuo a carne, troco por legumes, faço omelete. A gente se vira! - Maria Gomes da Silva, mora em Diadema, trabalha de empregada doméstica em Santo Amaro

 A mulher que levava dois, três quilos, hoje leva cinco, seis tomates - Dayse Silva do Nascimento, que trabalha há dez anos como feirante em São Paulo

Tive que andar mais de perua por causa do aumento da gasolina. Cilene Cesário, 37 anos

Não acho que a inflação lá fora está contaminando os preços aqui. Acho que é uma inflação de demanda verdadeira - Luiza Rodrigues, economista do Banco Santander

O aumento nos preços não está concentrado nos alimentos. Outros itens, como o ingresso do cinema, também estão subindo. Isso mostra que há aumento de demanda ¿ André Brás, economista da Fundação Getúlio Vargas

O BC está fazendo o certo, tem que subir os juros. Para a inflação de 2008 já não pode fazer nada, mas com a ação do BC em 2009 os preços devem estar controlados novamente - Luiza Rodrigues, economista do Banco Santander

Para a indústria, a forma de controle da inflação é pior do que a inflação em si. O aumento dos juros praticado pelo Banco Central traz valorização no câmbio e aumento nos custos. A indústria tem de fazer ginástica para não ficar no prejuízo ¿ André Rebelo, gerente do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Fiesp

*Com reportagem de Mariana Sant´anna e Bruno Rico

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.