Mesmo com o acirramento da crise dos mercados internacionais, a confiança do consumidor brasileiro seguiu positiva em setembro, com alta de 4,2% ante agosto. O resultado deveu-se à boa avaliação da economia local e perspectivas otimistas em relação ao crescimento econômico e do mercado de trabalho.

Os dados do Índice de Confiança do Consumidor (ICC) foram divulgados ontem pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).

No mês passado, a alta do índice foi de 6,2%, mas o resultado de setembro não indica arrefecimento da confiança, segundo o coordenador do Núcleo de Pesquisas e Análises Econômicas da FGV, Aloísio Campelo. Para ele, agosto teve alta forte demais, pois refletia um cenário de recuperação em relação a julho (quando o ICC caiu 4,9%). "Houve, em setembro, uma continuidade da recuperação da confiança do consumidor", disse.

O levantamento abrange entrevistas em mais de 2 mil domicílios, pesquisados em sete capitais. A coleta de informações para o ICC foi do dia 1º a 19 de setembro. Ou seja: apenas um terço do período delimitado para análise foi correspondente ao pico da crise financeira internacional. "Não há como saber realmente quanto o consumidor sentiu essa crise", disse o economista.

As analistas da consultoria Tendências, Ariadne Vitoriano e Cláudia Oshiro discordam da avaliação de Campelo. Para as especialistas, as incertezas em relação ao momento econômico interromperam a forte curva ascendente do otimismo do consumidor, que agora cresce a taxas menores.

Para a FGV, tanto as avaliações sobre a situação atual quanto as expectativas em relação aos próximos meses tiveram bons resultados. O ICC é dividido em dois indicadores: o Índice de Situação Atual, que subiu 7,9% em setembro ante 9,3% em agosto, e o Índice de Expectativas, que cresceu 2,1% em relação a 4,6% em agosto.

O consumidor de baixa renda foi um dos que mais contribuíram para a taxa positiva. Entre as famílias com renda mensal de até R$ 2.100, o ICC subiu 9% em setembro ante agosto, a maior taxa entre as quatro faixas de renda analisadas. "Com a inflação dos alimentos arrefecendo, isso pode ter contribuído para a melhora do humor do consumidor mais pobre", avaliou Campelo.

Outro fator que pode ter puxado para cima o resultado foi uma melhora na avaliação sobre o futuro do mercado de trabalho. Em setembro, 7,4% dos entrevistados avaliam que será mais fácil conseguir emprego, nos próximos meses. Em agosto, eram 5,5%. A parcela dos que acreditam em maior dificuldade na busca de emprego caiu de 72,7% para 65,2%, de agosto para setembro. "Foi a melhor avaliação para mercado de trabalho da série histórica da pesquisa (iniciada em setembro de 2005)", afirmou.

O economista, porém, faz uma ressalva: o consumidor parece mais cauteloso na compra de bens duráveis. A participação de entrevistados que devem comprar menor quantidade de bens duráveis nos próximos meses, subiu de 28,7% para 34%, de agosto para setembro.

Isso pode indicar um interesse menor por compras natalinas. "Não quer dizer que o Natal vai ser uma catástrofe em vendas. Mas podemos encontrar um consumidor mais cauteloso com presentes."

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