SÃO PAULO - Um relatório indica que, apenas neste ano, serão vendidos 8 milhões de netbooks - computadores portáteis de baixo custo e funções limitadas. O resultado é significativo, considerando que eles, que vêm sendo considerados uma nova categoria de PCs, praticamente não existiam em 2007, afirma a consultoria taiwanesa Market Intelligence Center (MIC). A entidade afirma que esse volume pode mais que dobrar em 2009, para 18 milhões de unidades vendidas.

O barateamento dos componentes, a demanda por aparelhos mais leves e baratos para acesso à internet e funções básicas, assim como a segmentação do mercado são os fatores que têm dado impulso a essa nova categoria de PCs portáteis. Inicialmente criados para utilização em atividades educacionais, esses aparelhos caíram nas graças de usuários corporativos e do público em geral, multiplicando a demanda.

A categoria foi praticamente inaugurada pela também taiwanesa Asustek, com o seu EeePC, lançado no ano passado. Atualmente, a companhia já tem diversas versões desse modelo, inclusive uma versão para mesa (desktop). Seguindo seu exemplo, outras empresas de Taiwan também começaram a apostar nessa nova categoria, com destaque para a Acer e seu Aspire One e para a Micro-Star International, com seu MSI Wind. Mesmo gigantes do setor como a Hewlett-Packard (HP) e a Dell já têm ou estão prestes a lançar modelos próprios de netbooks.

Em julho, o executivo-chefe da Asustek, Jerry Shen, afirmou que sua empresa terá demanda por 5 milhões de EeePCs neste ano, volume que deve chegar a 10 milhões em 2009.

A preocupação, inclusive entre os fabricantes, gira em torno de uma possível frustração em relação ao desempenho dos aparelhos se utilizados de forma inadequada - em atividades complexas, não suportadas por sua configuração básica. Outro fator que preocupa é a possibilidade de saturação do mercado, uma vez que muitos avaliam que a maioria dos consumidores não tem necessidade de um segundo notebook, especialmente um mais básico e com tela menor - como é comum na nova categoria.

O lançamento recente de vários modelos, embora possa realmente levar a uma saturação, deve também reduzir os já baixos preços desses PCs, por conta da competição entre as marcas. Segundo a MIC, isso pode ser interessante para os consumidores.

A nova categoria tem, particularmente, boas perspectivas em países emergentes, muito sensíveis a preços e com alta necessidade de inclusão digital. No Brasil, a Positivo Informática começou a fabricar sua versão dessa categoria, o Mobo, no fim do primeiro semestre. Segundo o presidente da companhia, Hélio Rotenberg, a demanda no início das vendas superou as expectativas.

(José Sergio Osse | Valor Online)

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