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Rivais no canteiro de obras, fora dele as maiores construtoras do País se juntaram para derrubar o que dizem ser uma ameaça a seus negócios: um projeto de lei que proíbe o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) de financiar obras fora do Brasil. É que elas são as principais interessadas na atuação internacional do banco federal.

Estimuladas pelo governo Lula e sua política de ocupação comercial da América Latina e da África, empresas como Odebrecht, Andrade Gutierrez e Camargo Corrêa estão construindo hidrelétricas, portos e metrôs em outros países, com financiamento do BNDES.

Nos últimos cinco anos, o banco desembolsou mais de US$ 3 bilhões nas operações das construtoras fora do País. Até agosto, elas já haviam recebido quase US$ 957 milhões da instituição. Para as construtoras, é um bom mercado. Contratadas em outros países, recebem o financiamento do BNDES, aqui dentro, enquanto executam as obras. Depois, o governo que as contratou tem 12 anos de prazo para devolver o dinheiro ao banco brasileiro. O projeto que tramita no Senado, de autoria do senador Raimundo Colombo (DEM-SC), fecha essa fronteira. Ele proíbe que "o BNDES financie governos de outros países e suas empresas".

"O papel do BNDES não é esse. Ele não pode dar dinheiro para um metrô na Venezuela ou um porto em Cuba, quando tem tanta coisa para fazer no Brasil", afirma Colombo. Quando chegou ao Senado, no começo do ano, o projeto de Colombo chamou a atenção das construtoras e do BNDES. Mas a preocupação cresceu mesmo depois do parecer favorável da relatora da Comissão de Constituição e Justiça, a senadora Kátia Abreu (DEM-TO). No seu parecer, a senadora afirma que a função do BNDES foi "desvirtuada com o financiamento de governos estrangeiros".

Na visão das construtoras, a disputa política pode estar embaralhando as discussões em torno do papel do BNDES. Os oposicionistas, entre eles os democratas Raimundo Colombo e Kátia Abreu, acham que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva usa o banco público para aumentar sua influência no continente e para agradar governantes amigos, como o presidente Hugo Chávez, da Venezuela. O governo, por sua vez, afirma que o apoio oficial é fundamental para abrir mercado para as empresas brasileiras. "Esse projeto é um tiro no pé com a melhor das intenções. Ele só prejudica as empresas brasileiras", afirma o ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge, a quem o BNDES está subordinado. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo .

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