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Especialistas recomendam que corretores relacionem todas as despesas do imóvel e uma previsão do condomínio antes da vender o bem

“Oportunidade de participar do plano Minha Casa, Minha Vida com subsídio de até R$ 23 mil.” Frases como essa se repetem nos anúncios de lançamentos imobiliários enquadrados no programa habitacional Minha Casa, Minha Vida. As ofertas destacam as facilidades de crédito e subsídios para aquisição de imóveis, mas a maioria não revela os custos de manutenção dos empreedimentos.

A informação é relevante para todas as famílias que compram um imóvel, mas ganha peso quando o apartamento é vendido a famílias de baixa renda, afirma Angélica Arbex, gerente da Lello Condomínios. Segundo ela, o risco de inadimplência no condomínio existe em todas as faixas de renda e o percentual de falta de pagamento está em 6,5% na cidade de São Paulo.

“Os corretores deveriam fazer um trabalho extra para vender imóveis para famílias de baixa renda, com a apresentação de todas as despesas de um apartamento e uma previsão da cota condominial”, afirma Angélica. "Eles também devem orientar que o condomínio é uma conta permanente para quem mora em apartamentos."

Procuradas pelo iG , as construturas Tenda, Mudar e CHL afirmaram que não podem informar os valores dos condomínios de seus empreendimentos porque a mensalidade é definida por administradoras terceirizadas. A HM, construtora do segmento econômico do grupo Camargo Corrêa, informou que os condomínios de seus empreendimentos para famílias de baixa renda devem custar cerca de R$ 100. A Caixa Econômica afirmou, em nota, que a administração dos condomínios não é responsabilidade do banco e que não possui uma estimativa de qual o valor ideal para a cobrança de condomínio.

Corte de custo é limitado

O custo de manutenção de um condomínio depende das opções que ele oferece, como salão de festas, playground e elevadores. A maioria dos condomínios do Minha Casa, Minha Vida direcionados a famílias de até três salários mínimos é formado por blocos com até cinco andares, sem elevador, divididos em unidades de cerca de 40 metros quadrados. Mesmo sem luxos, as despesas básicas como portaria, material de limpeza, impostos e pessoal, não são inferiores a R$ 20 mil, afirma Henrique Bianco, presidente da HM.

Para cortar custos, os moradores precisam decidir se querem abrir mão de serviços oferecidos dentro do condomínio. Entre as possibilidades, Bianco sugere a substituição da portaria 24 horas por portão eletrônico e cerca elétrica. “Uma portaria 24 horas custa R$ 7 mil por mês para o condomínio de qualquer porte”, diz. Outra alternativa é dispensar funcionários encarregados de limpeza ou pintura do prédio e organizar mutirões entre os moradores para a realização dos serviços.

Subsídio das contas

Uma hipótese apontada para a redução do valor do condomínio dos apartamentos do Minha Casa, Minha Vida é a concessão de subsídios do governo para serviços de água e luz dos empreendimentos. A medida está em discussão no Sindicato da Habitação (Secovi), que deve apresentar uma proposta sobre o tema para o governo federal. “O poder público terá de participar da administração desses condomínios”, afirma Hubert Gebara, vice-presidente de administração imobiliária e condomínios do Secovi-SP.

Para ele, a atuação do governo após a entrega dos empreendimentos evitará falhas como as ocorridas nos conjuntos habitacionais Cingapura, criados em 1994 em São Paulo. Os empreendimentos chegaram a registrar 85% de inadimplência, abandonos e ligações clandestinas de luz e água.

O programa Minha Casa, Minha Vida oferece subsídio de até R$ 23 mil para a aquisição da casa própria, mas não para a manutenção das unidades. Ao todo, o projeto prevê a construção de 1 milhão de casas populares, 40% delas voltadas para famílias com renda de até três salários mínimos.

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