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Construtoras congelam as fusões e buscam alternativas para crescer

Nos últimos meses, a dupla fusão e aquisição foi onipresente em qualquer roda de conversa de empresários e analistas do setor imobiliário. Hoje, passada a fase de especulações e negociações iniciais, o mercado já não aposta mais em uma onda forte de compras.

Agência Estado |

As empresas, principalmente as listadas em Bolsa, conversaram muito entre si, mas pouca coisa saiu do papel. O assunto não morreu, mas as empresas estão sendo obrigadas a buscar alternativas para continuar tocando seus projetos.

O caso da InPar é emblemático. Na sexta-feira passada, em teleconferência com analistas, a incorporadora anunciou que vai vender parte de seus ativos para fazer caixa para comprar terrenos. O objetivo é levantar R$ 400 milhões. O plano de lançamentos - tido pelo mercado como ambicioso para uma companhia que ficou fora de operação entre 2004 e 2005 - foi reduzido de R$ 2,5 bilhões para R$ 1,65 bilhão neste ano e de R$ 3 bilhões para R$ 1,85 bilhões em 2009. A InPar figurava na lista de empresas que queriam sócios. Um dos controladores, Cesar Parizotto, já revelou a pessoas próximas que não tem apego extremo pelo negócio, ao contrário da maioria de seus pares. No passado, a família vendeu a rede Atacadão, hoje do Carrefour.

A incorporadora dos Parizotto não é a única a buscar um plano B. Na semana passada, a Tecnisa anunciou que conseguiu levantar uma linha de financiamento de R$ 400 milhões com o Itaú e o Itaú BBA para construção e compra de terrenos. "A Tecnisa é uma empresa que tem controlador. Para fazer fusão, a gente tem de realmente crer que vai ser a melhor opção. Fusão não traz dinheiro novo, só aumenta o tamanho da empresa. E nada garante que o valor das ações vai subir", diz o diretor de relações com os investidores da Tecnisa, Leonardo Paranaguá.

Até pouco tempo atrás, o discurso no setor era outro. Acreditava-se que uma fusão elevaria o preço das ações e ajudaria a levantar mais dinheiro na Bolsa. Recentemente, a incorporadora Helbor e a construtora Company deram uma demonstração da dificuldade de juntar empresas no setor. As conversas duraram só 90 dias. Segundo o vice-presidente da Helbor, Henry Borenstein, não houve acordo sobre preço. "Quando as conversas começaram, a Helbor valia R$ 700 milhões na Bolsa. No fim, valia R$ 400 milhões", diz. "Esse valor não faz sentido. Em termos contábeis, as empresas são muito parecidas. A fusão não está descartada, mas ainda não é hora."

No mercado, há uma explicação complementar. Os donos não teriam chegado a um consenso sobre quem iria mandar na nova companhia e qual dos nomes apareceria na frente. "Teve essa discussão de nomes, mas ela não foi a principal. Eu não queria que a marca sumisse, porque são as iniciais do meu avô", conta Borenstein.

Obstáculos

O episódio contém todos os ingredientes que, de uma forma ou de outra, estão impedindo que as empresas de porte semelhante unam suas operações. Os primeiros obstáculos são de ordem econômica. As empresas não têm dinheiro em caixa sobrando para sair às compras. "Esse é um fator limitador. A prioridade é usar o dinheiro para bancar o crescimento", diz o analista do Itaú BBA, Thomas Awad. Mais: ninguém vai querer vender pelo preço atual das ações. Segundo relatório recente do banco UBS Pactual, de maneira geral, as empresas com ações negociadas em bolsa estão com um valor de mercado abaixo do de liquidação (valor patrimonial).

A outra barreira é de ordem, digamos, emocional. Boa parte das empresas imobiliárias que abriram capital ainda tem o fundador como o principal executivo. E muitos deles resistem em deixar a empresa, o que é praticamente inevitável numa situação como essa. "Um pouco dessa pressão vem dos bancos e dos investidores, que ficam confusos diante de tantas opções na bolsa. A fusão é solução para investidores, mas não necessariamente para as empresas", diz Paranaguá, da Tecnisa. "O ego dos donos é a maior barreira porque vai implicar em governança - quem vai fazer o quê no dia seguinte à fusão." Em outras palavras, a nova empresa não pode ter dois comandantes. Um vai ter de sair.

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