Lideradas por serviços e construção civil, as empresas privadas no País continuam contratando mais que demitindo e admitiram 1,56 milhão de novos empregados com carteira assinada de janeiro a julho deste ano, de acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho. Esse é o melhor resultado para o período desde o início da série histórica, em 1992, e representa crescimento de 27,9% em relação ao saldo de novas ocupações abertas nos mesmos meses do ano passado.

O número de postos de trabalho abertos neste ano, até julho, já é superior à quantidade de empregos formais criados durante todo o ano de 2004 - o segundo maior saldo anual até agora registrado pelo Caged, de 1,52 milhão de vagas. E já se aproxima do total do ano passado, quando a economia criou 1,6 milhão de novos empregos.

Somente em julho, foram abertas 203,2 mil vagas formais, a marca mais alta para este mês desde o início da série. Na comparação com julho de 2007, houve aumento de 60% pois naquele mês foram empregadas 126,9 mil pessoas.

"Graças ao bom Deus, tivemos mais um recorde na geração de empregos", comemorou o ministro do Trabalho, Carlos Lupi. Os dados, segundo ele, são explicados por um crescimento "generalizado" da economia.

A tendência no segundo semestre em todos os anos é a redução no ritmo de admissões, mas Lupi afirmou esperar que este ano seja diferente. "Acho que o mercado de trabalho vai permanecer aquecido por vários fatores, mas principalmente por causa da recuperação de renda da população, que faz circular mais dinheiro, aumentar a demanda e leva as empresas a investir em produção." O ministro prevê a criação de 2 milhões de empregos este ano.

Estoque

O total de 1,56 milhão de ocupações acumuladas este ano elevou o estoque de empregados com carteira assinada no País em 5,4%, em relação a dezembro do ano passado, para 30,5 milhões de trabalhadores. Em julho, ante junho, o estoque subiu 0,67%. O Caged registra mensalmente contratações e demissões feitas pelas empresas, segundo as regras da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Ficam de fora dados sobre empregados domésticos e servidores públicos.

O aquecimento do mercado imobiliário influenciou os serviços de administração de imóveis, que foi responsável pela abertura de 490,1 mil empregos nos sete meses. Esse saldo é recorde para o período e representa aumento de 34% em relação ao fluxo de vagas abertas nos mesmos meses de 2007 neste setor. Também se destacaram os serviços de alimentação e alojamentos - onde estão incluídos empreendimentos turísticos como hotéis, resorts, bares e restaurantes.

A construção civil contratou 232,2 mil empregados de janeiro a julho, alta de 99,3% em relação ao mesmo período de 2007. "A oferta de financiamentos habitacionais continua alta e as obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) estão andando bem", afirmou Lupi. O setor agrícola, impulsionado pelos elevados preços internacionais de commodities e por safras recordes, contratou 271,9 mil novos empregados, 10,3% mais que no mesmo período do ano passado.

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