Cenário da maior tragédia da história do metrô de São Paulo, a Estação Pinheiros, na zona oeste, cujas obras desabaram em janeiro de 2007 matando sete pessoas, começará a ser erguida definitivamente até o fim deste mês. A previsão do Consórcio Via Amarela, responsável pela construção, é concluir a estrutura até março.

A primeira etapa começa com a concretagem da laje de fundo, no lado da Avenida Faria Lima, segundo Márcio Pellegrini, diretor do consórcio.

O projeto executivo da estação já recebeu a aprovação de várias instâncias e resta apenas a homologação pela Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô). O comando do Corpo de Bombeiros aprovou em setembro o projeto arquitetônico da futura estação, que fica na Rua Capri, assinado pelo arquiteto Fernando L. Gonçalves. O terminal de passageiros terá 1.893 metros quadrados. A comissão técnica dos bombeiros classificou a estação como de baixo risco de incêndios. A homologação já foi publicada no Diário Oficial.

A construção do poço da estação, segundo Pellegrini, terá a maior concretagem já executada na América latina, com cerca de 5 mil metros cúbicos de concreto a serem despejados em um só dia. O projeto prevê um terminal subterrâneo, com plataformas laterais e salas de apoio no nível da superfície, com estruturas em concreto aparente. "Haverá uma torre cilíndrica de vidro, com iluminação natural", adiantou.

Contará ainda com acesso para portadores de deficiências físicas, além de integração com a Linha 7-Celeste da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), sobre a Marginal do Pinheiros, por uma miniponte estaiada. O terminal da CPTM também passará por reforma completa.

Os oito peritos que elaboraram o laudo do Instituto de Criminalística (IC) sobre o acidente na futura Estação Pinheiros serão ouvidos no dia 20 pelo promotor de Justiça Arnaldo Hossepian Júnior, um dos encarregados pelo inquérito criminal, e pelo delegado Jorge Carlos Carrasco, chefe da 3ª Seccional Oeste, em Pinheiros.

Os peritos do Núcleo de Engenharia do IC de São Paulo Jayme Tellles, Walter Almeida Martins, Marcos O. B. Godoy, Edgard C. Engelberg, José Carlos Bittencourt, Ariston C. de Oliveira Mendrot, Lourenço Trapé Neto e Mário Lúcio Alves terão de esclarecer vários pontos do documento que servirá como base para a denúncia do Ministério Público, juntamente com o relatório final da Polícia Civil.

Uma análise mais detalhada do documento de 193 páginas mostra que a versão do IC rebate grande parte do laudo do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), que tem 13 volumes, além de acompanhar algumas das conclusões do Consórcio Via Amarela, como a existência de falha geológica. O IPT, por exemplo, aponta alteração nessa seqüência de escavação, o que teria contribuído para o desabamento. Já o IC, na página 137, mostra que "em geral os projetos de túneis consideram a possibilidade de modificações que não alterem as condições sob as quais foram elaboradas os cálculos" e diz que o projeto tinha permissão de modificar o método construtivo.

Há divergências também sobre o início do desabamento, sobre o plano de emergência, hipóteses da rocha não detectada em sondagens, explosões pouco antes da tragédia e profundidade da escavação. "Vamos ouvir os engenheiros do IC e saber a razão de algumas conclusões", disse Hossepian.

Em julho, um grupo de trabalho do Metrô já havia feito um relatório paralelo que contestava inúmeros itens do laudo produzido pelo IPT, contratado pelo próprio governo do Estado por mais de R$ 6 milhões para elaborar documento sobre as causas do desastre ocorrido na obra da Linha Amarela. O trabalho dizia que o IPT "desconhece procedimentos e não tem experiência ou habilidade para buscar ou saber obter dados sobre o andamento dos serviços". As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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