O setor de construção civil vai encaminhar ao governo federal uma proposta para garantir o equilíbrio das construtoras durante a crise financeira. Segundo o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP), Sergio Watanabe, a idéia é reivindicar a abertura de uma linha de crédito direto para financiar as obras no longo prazo, o que poderia ser feito por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

"O governo já anunciou medidas para ampliar o crédito à exportação e para ajudar os bancos. A construção civil também tem de ser acompanhada atentamente", argumentou o executivo. Ele acrescenta que, ao lado da agricultura, o setor é uma das principais alavancas de crescimento econômico do País. Hoje as empresas da área empregam cerca de R$ 1,1 milhão de trabalhadores, com carteira assinada.

Watanabe afirmou que, na proposta a ser entregue ao governo federal na semana que vem, o setor vai incluir o montante necessário para irrigar o mercado. Os números ainda estão sendo calculados. O sindicato também vai pedir que as condições de financiamento dos bancos comerciais, como prazos e custos, sejam mantidas. "É preciso criar medidas preventivas, pois os bancos já estão mais restritivos", avaliou ele, que mantém as previsões de crescimento para este ano. "O impacto na expansão apenas será sentido no segundo semestre de 2009." Ele destacou que os empresários do setor estão aguardando o desfecho da crise. Mas alguns adiaram lançamentos. "Esse é um setor que depende exclusivamente de crédito e taxas de juros baixas."

O grande problema do setor é que uma parcela significativa de construtoras abriu capital nos últimos dois anos e investiu o dinheiro na formação de um banco de terrenos. Com a piora da crise internacional, o crédito secou e elas ficaram em dificuldade para levantar os empreendimentos. Há inclusive quem acredite que a situação poderá levar à derrocada de algumas empresas do setor e, conseqüentemente, a enormes prejuízos para o mutuário. Um cenário que justificaria um monitoramento por parte do governo a fim de tomar medidas preventivas.

Para o consumidor, o crédito imobiliário também está mais restritivo e, em alguns casos, mais caro. No Bradesco, por exemplo, a taxa de juros de 9% ao ano mais TR para financiamento de imóveis de até R$ 120 mil, verificada em julho, subiu para 10,5% mais TR agora. Já a linha para imóveis entre R$ 120 mil e R$ 350 mil, subiu de 11,5% mais TR para 12% mais TR. Em outros bancos, alguns produtos mais acessíveis desapareceram das opções.

O diretor de Crédito Imobiliário do Itaú, Luiz França, afirmou que, na instituição, os negócios estão sendo feitos com clientes que eles conhecem bem, o que aumenta a capacidade de análise. "Além disso, determinamos o nível de entrada de cada cliente, a fim de que a garantia seja líquida e certa, se algum problema ocorrer."

Além dos recursos próprios dos bancos, o crédito imobiliário conta com o dinheiro do FGTS e poupança. Cerca de 65% dos depósitos da caderneta são destinados ao crédito imobiliário. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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