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Conselhos barram mulheres no comando, aponta pesquisa

Ver uma mulher no topo do organograma de uma empresa no País é algo ainda raro. Pesquisa realizada pelo Insper (antigo Ibmec) em 370 companhias de vários portes mostra que elas são as presidentes ou diretoras gerais em 8% dos casos.

Agência Estado |

E, quando a companhia possui um conselho de administração, as chances de uma mulher ocupar o cargo mais alto são ainda menores, observa o levantamento. Nesse universo, a taxa cai para 5%.

Regina Madalozzo, a pesquisadora responsável pelo estudo, procura não chamar os conselhos administrativos das empresas de discriminatórios, mas considera que ser homem ou mulher faz, sim, diferença na escolha de um CEO. "Quando há um conselho, os membros buscam eleger uma pessoa parecida com o próprio conselho. E, se tenho um conselho majoritariamente de homens, então a identificação com a candidata é muito pequena", diz.

Outra possível influência pode ser o mercado financeiro. "Há pesquisas que mostram que, quando empresas anunciam uma mulher como CEO, o preço das ações cai", diz.

Marlene Ortega, presidente do Business Professional Women, associação que congrega mulheres de negócios em todo o mundo, e diretora executiva da Universo Qualidade, entidade especializada em treinamentos corporativos, acredita que o mercado financeiro tenha mesmo poder sobre essa decisão. "Quando falamos de conselho, estamos falando das grandes corporações, que são muito pressionadas por um grupo de acionistas, investidores e outras instâncias que querem resultados. Os homens, classicamente, são reconhecidos pelo resultado no curto prazo." Já o perfil corporativo da mulher, observa, é mais voltado a práticas de longo prazo.

Para Marlene, no entanto, a pequena participação hoje das mulheres nos altos postos das companhias não deve ser vista como um problema, apenas como um período transitório. "Eu acho que as mulheres não deveriam ter tanta pressa ou se julgarem tão discriminadas. A ascensão feminina é uma consequência natural, fruto de movimento histórico." A executiva acredita que as crescentes demandas mundiais relacionadas à sustentabilidade e à melhoria da qualidade de vida no planeta vão abrir espaços para lideranças femininas.

Em comparação com o mundo, no entanto, o Brasil se revela aberto à presença de mulheres no topo. O País aparece em terceiro lugar, empatado com a Itália, no ranking dos que têm maior fatia de mulheres na presidência de holdings, ambos com 11%. O dado está no estudo "Disparidades corporativas entre gêneros - 2010", do Fórum Econômico Mundial, realizado em 20 países, que foi divulgado esta semana. Com melhor distribuição estão Finlândia, em primeiro (13%), Noruega e Turquia empatadas em segundo (12%). Se olhados os demais níveis de lideranças, no entanto, Estados Unidos, Espanha e Canadá estão na frente, com a maior participação de mulheres no comando.

PORTAS ABERTAS
Na opinião de Sônia Hess de Souza, presidente do Grupo de Mulheres Líderes Empresariais (Lidem), e da Dudalina, rede de lojas de moda masculina, as portas dos mercados estão mais abertas às mulheres, porém poucas ascendem. "O que eu vejo hoje, principalmente em eventos de gerência e seminários, é que há um número de mulheres muito grande, com muita competência. Mas, quando você olha para as posições mais altas, esse número cai muito - de CEOs, mais ainda."
Porém, isso não significa que os espaços estejam fechados para elas. Talvez elas próprias não queiram ocupá-los, analisa. "Chega um momento na vida em que ela vai decidir. E, às vezes, ela não quer abrir mão de um monte de coisas, e não tem essa ganância de chegar ao topo a qualquer preço", diz. "Não que a mulher não tenha a capacidade, ela tem, mas ela pode não querer."
A tendência natural, diz, é que o número de mulheres que pleiteiem cargos mais altos cresça com o tempo. "Cada vez mais mulheres vão galgar, mas acho que não vamos viver para ver chegar ao 50/50."

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