O Conselho Monetário Nacional (CMN) manteve a Taxa de Juro de Longo Prazo (TJLP) em 6,25% ao ano para o período de 1º de outubro a 31 de dezembro de 2008. A decisão foi tomada em reunião extraordinária realizada ontem, dia em que os mercados financeiros desabaram em todo o mundo.

A TJLP baliza o custo dos financiamentos concedidos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) às empresas.

Apesar de ter sido tomada ontem, a decisão do CMN não teve relação com o cenário externo. Prevista para ocorrer na tarde de hoje, a decisão sobre a TJLP teve de ser antecipada para que houvesse tempo hábil para a publicação do fato na última edição do Diário Oficial da União de setembro, que circula hoje. Isso porque a taxa atual, de iguais 6,25%, expirava hoje.

A manutenção da TJLP garante aos setores industrial e de infra-estrutura, principais clientes do BNDES, recursos com taxas de juros mais baixas. A título de comparação, a Selic, taxa básica do mercado financeiro, determinada pelo Banco Central, está em 13,75% ao ano.

O BNDES, no entanto, tem sofrido com o aumento do custo de captação de recursos no mercado, em meio à crise internacional iniciada nos Estados Unidos. Isso tem levado o banco a adotar soluções criativas para evitar maior descasamento de recursos.

Na semana passada, o Estado mostrou que o BNDES começou a negociar juros acima da TJLP para compensar esses aumentos de custos, principalmente no exterior. Em algumas operações, o banco tem concedido parte dos recursos com um adicional acima do custo normal da TJLP mais uma taxa de risco.

O governo vê no BNDES um dos principais instrumentos para manter os investimentos na economia brasileira, mesmo com a crise internacional, tanto que tem aprovado sucessivas medidas para reforçar o capital da instituição. Nas próximas semanas, o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, deve ir ao exterior para tentar captar mais recursos, com vistas às operações em 2009. Ele deve participar de reuniões nos Estados Unidos e no Japão. Segundo o banco, o orçamento da instituição garante todas as operações previstas para 2008.

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