Há uma certeza entre os empresários da indústria jornalística reunidos em São Paulo para o 7º Congresso Brasileiro de Jornais, promovido pela Associação Nacional dos Jornais (ANJ): o cenário do negócio no País, para os próximos 12 anos, é promissor. Por mais que pairem dúvidas sobre o futuro das edições impressas dos jornais no mercado americano, onde a circulação caiu nos últimos anos, no Brasil as perspectivas econômicas e sociais puxam esse mercado para cima.

A proposta do congresso, que termina hoje, é debater "O Brasil e a indústria jornalística em 2020". E o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge - que por mais de 20 anos trabalhou em redações - foi bastante otimista no recado que deu na abertura do congresso, na manhã de ontem.

O ministro reuniu em seu discurso dados que exibem um Brasil em rota de crescimento até 2020: "Apenas no primeiro semestre, 480 empresas anunciaram investimentos que somam R$ 400 bilhões".

Segundo seus cálculos, a renda per capita deve saltar dos atuais R$ 13,5 mil para R$ 21 mil no período. Metade da população terá mais de 32 anos, enquanto hoje esse contingente tem menos de 27 anos. A escolaridade também deve avançar, e os universitários deverão somar 7,5 milhões, ou 50% a mais do que hoje.

O reflexo desses indicadores é uma população com mais renda para se educar e maior capacidade de consumo, o que, para os jornais, representa mais e melhores leitores. Como enfatiza Miguel Jorge, o cenário é ótimo e a indústria jornalística será "mais forte, melhor e mais competitiva em 2020".

"A edição da revista The Economist do final de julho informa que, embora talvez não seja consolo para os estressados jornalistas do mundo rico, em muitos países emergentes a indústria jornalística vem crescendo", destacou o ministro. Os dados que a revista inglesa usa para explicar o sucesso da indústria jornalística nos países emergentes, como citou o ministro, são os da World Association of Newspaper (WAN), e apontam um crescimento da venda de jornais no Brasil de 12% no ano passado e um aumento acumulado de circulação de mais de 22% nos últimos cinco anos.

Nem mesmo a ameaça da volta da inflação, que andou assustando o mercado, como questionou o presidente da Infoglobo, João Roberto Marinho, parece incomodar o ministro. "Já está sob controle", garantiu. Jorge destacou um único aspecto preocupante que pode comprometer suas previsões otimistas para o Brasil. "O único gargalo com o qual devemos nos preocupar nos próximos anos é com a formação de profissionais qualificados", disse ele."Estradas podem ser construídas em três anos, mas não formamos engenheiros em três anos."

Nelson Sirotsky, presidente da ANJ, lembrou que, em recente jantar com investidores estrangeiros, perguntou se as empresas deveriam fazer investimentos para bancar a continuidade dos jornais impressos. Recebeu como resposta um vigoroso não. Sirotsky perguntou ao ministro como interpretava essa negativa. "Disseram que a chegada a internet iria acabar com os jornais, mas o que vejo são os sites independentes de notícias sem força para superar os sites do jornais tradicionais. O que acontece é que os jornais se apropriam da área digital", argumentou Jorge.

A marca comum dos debates e das conversas de corredor no primeiro dia de congresso é que não há dramas para o futuro desse negócio, ainda que seus padrões de funcionamento passem por grandes mudanças. Afinal, dizem os executivos, as mídias digitais dependem de conteúdo, e isso é o que a indústria jornalística faz de melhor.

Durante a palestra, outro tema de interesse da indústria jornalística foi a dependência do setor de um único fabricante do tipo de papel usado pelos jornais no Brasil. O ministro Miguel Jorge se colocou à disposição para debater medidas com os empresários, como incentivos à produção de papel-imprensa no País.

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