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María Peña. Washington, 29 set (EFE) - A Câmara de Representantes dos Estados Unidos deu hoje um duro golpe na Casa Branca ao rejeitar, de forma surpreendente, o plano de resgate financeiro de US$ 700 bilhões, apesar das advertências de que o país poderia entrar em uma recessão. A rejeição do ambicioso plano, que recebeu 205 votos a favor e 228 contra, causou a queda das bolsas de valores internacionais, entre elas Wall Street, que sofreu a maior baixa em pontos de sua história, e a Bolsa de Valores São Paulo (Bovespa), com forte baixa de 9,36%. Após a votação, tanto democratas quanto republicanos convocaram várias coletivas de imprensa para se acusarem mutuamente pelo fracasso da Lei Emergencial de Estabilização da Economia. No entanto, os dois partidos expressaram sua vontade de voltar à mesa de negociações, conscientes de que a crise não desaparecerá por mágica. A crise continua conosco (...

) ainda nos preocupa (a situação) do cidadão, da classe média e como eles podem ser afetados pela crise em Wall Street", disse a presidente da Câmara, Nancy Pelosi.

Já Barney Frank, presidente do Comitê de Serviços Financeiros, se disse "decepcionado". Para ele, "os republicanos mataram este projeto de lei".

Em contra-ataque, os republicanos culparam Pelosi pela rejeição do projeto. Momentos antes da votação, ela havia dito que a crise é fruto das "fracassadas políticas econômicas" do presidente americano, George W. Bush.

"Mantemos nosso compromisso de trabalhar de forma bipartidária para levar perante o plenário um projeto de lei que alcance os votos necessários para evitar um colapso financeiro", afirmou o republicano Adam Putnam.

O plano agora é que os legisladores se reúnam na quinta-feira para tentar reavivar o projeto, enquanto os democratas insistem em maiores proteções para os americanos pelas más decisões em Wall Street.

Ao se reunir com o presidente da Ucrânia, Victor Yushchenko, Bush disse estar "muito decepcionado" com a votação e anunciou que se encontrará com seus assessores econômicos, entre eles o secretário do Tesouro, Henry Paulson, para avaliar as opções sobre a mesa.

"Nossa estratégia é continuar fazendo frente a esta situação econômica. E trabalharemos para desenvolver uma estratégia que nos permitirá avançar" para uma solução, acrescentou.

Nos últimos dias, Bush tinha advertido de que a rejeição do plano poderia produzir danos no resto da economia do país e do mundo.

Segundo um porta-voz da Casa Branca, Tony Fratto, tanto Bush quanto o vice-presidente Dick Cheney e Paulson falaram hoje com republicanos para que aprovassem o plano. Mas as súplicas não deram resultado.

A reticência dos legisladores é compreensível caso se leve em conta que, a cinco semanas das eleições presidenciais, muitos legisladores tentam a reeleição, e poucos quiseram arriscar um voto a favor, mais ainda quando ninguém sabe ao certo se o plano teria efeito.

Durante o debate, de pouco mais de três horas, democratas e republicanos questionaram a eficácia do plano e criticaram a falta de ajudas para as famílias afligidas pelas execuções hipotecárias.

Tudo parecia indicar que o plano seria aprovado, mas, no final, 67% dos republicanos e 40% dos democratas votaram contra.

Em Westminster (Colorado), o candidato presidencial democrata, Barack Obama, pediu calma, apesar do fracasso do plano, e disse confiar em que esse será aprovado, pois "não restam boas opções".

Já o candidato republicano, John McCain, disse que o plano fracassou porque os democratas colocaram a política acima dos interesses nacionais.

O plano teria dado ao Tesouro a autoridade de adquirir ativos sem liquidez dos bancos e empresas de Wall Street para que estes, por sua vez, pudessem restabelecer os empréstimos a negócios, instituições governamentais e consumidores.

O consumo é o que faz andar a economia dos EUA, pois forma dois terços do Produto Interno Bruto (PIB) da economia nacional. EFE mp/rb/db

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