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Senadores dos Estados Unidos deixaram claro ontem que a última palavra sobre os subsídios aos produtores de algodão é do Congresso e qualquer mudança significativa só ocorrerá em 2012. Os agricultores americanos também comemoraram o compromisso selado entre Brasil e Estados Unidos.

Senadores dos Estados Unidos deixaram claro ontem que a última palavra sobre os subsídios aos produtores de algodão é do Congresso e qualquer mudança significativa só ocorrerá em 2012. Os agricultores americanos também comemoraram o compromisso selado entre Brasil e Estados Unidos. No governo brasileiro, a expectativa é de alterações concretas até 20 de junho. Na segunda-feira, negociadores americanos enviaram ao Brasil uma oferta para resolver a disputa sobre os subsídios aos produtores de algodão, após um processo vencido pelo País na Organização Mundial do Comércio. Em contrapartida, o Brasil adiou a retaliação contra os produtos americanos até 22 de abril. A oferta americana inclui um fundo de US$ 147,3 milhões por ano para os produtores de algodão, a reforma do programa de garantia de crédito à exportação, e a liberação da importação de carne de Santa Catarina. Ontem, a presidente do Comitê de Agricultura do Senado, a democrata Blanche Lincoln, e o vice-presidente, o republicano Saxby Chambliss, divulgaram um comunicado em que consideram "apropriado" um acordo para suspender as sanções. Mas afirmaram que, "no fim das contas, o Congresso é o responsável por mudanças nos programas". E ressaltaram que vão trabalhar com o Executivo "para explorar mudanças no processo de reforma da Farm Bill (Lei Agrícola) em 2012". Segundo relato feito ontem pelo chanceler Celso Amorim na Comissão de Relações Exteriores do Senado brasileiro, a expectativa do governo americano é de obter até 20 de junho o aval do seu Congresso para firmar um acordo mais amplo com o Brasil, que envolverá a redução substancial dos subsídios. "Pela primeira vez, os EUA fizeram uma proposta que nos pareceu verdadeiramente séria", disse Amorim. O Conselho Nacional de Algodão dos Estados Unidos, que reúne os produtores americanos, também afirmou que mudanças significativas nos programas de apoio ficarão para 2012. A entidade diz que uma alteração nos créditos à exportação poderia ser compensada por apoio em outras áreas e que o importante é que o dinheiro não desapareça. "Os programas são como vasos comunicantes", disse uma fonte. Para o presidente da entidade, Eddie Smith, "o acordo evita efeitos danosos que viriam de retaliação e coloca a discussão séria sobre mudanças nos programas de algodão para 2012 no Congresso, que é onde o discussão deve ocorrer". Decisão histórica. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ficou "muito satisfeito" e considerou "ótima" a decisão dos EUA de negociar a retirada dos subsídios à produção de algodão. Lula, segundo assessores, considerou a decisão "histórica" e demonstra uma "mudança de comportamento dos americanos".
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