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Congresso argentino derruba imposto a exportações e coloca governo em crise

O Senado argentino derrubou na madrugada desta quinta-feira a lei que aumentava a pressão fiscal sobre as exportações de grãos e manufaturas agroindustriais, que, no país, totalizam US$ 35 bilhões anuais.

Redação com agências |

Esse resultado significa uma grande derrota do governo peronista de Cristina Kirchner.

O projeto havia sido enviado pelo governo e era motivo de um difícil conflito com os ruralistas.

Com essa medida, o governo esperava arrecadar apenas em direitos alfandegários US$ 11 bilhões dos US$ 24 bilhões que gera a colheita de soja, o principal cultivo do país.

A iniciativa do governo peronista da presidente Cristina Kirchner foi derrubada pelo voto de minerva de um homem de suas fileiras, o vice-presidente da República Julio Cobos, que precisou desempatar uma acirrada votação.

"Não estou traindo a presidente. Que envie outro projeto. Quero que se alcance um consenso. A história me julgará", afirmou o vice, da social-democrata União Cívica Radical (UCR), aliado de Kirchner até esta quinta, quando causou ao governo esta dura derrota parlamentar.

A votação havia sido finalizada com um empate de 36 e a Constituição estabelece que o vice-presidente da República, titular do Senado, desempate a questão.

A iniciativa deve voltar agora aos deputados, onde o governo carece dos dois terços necessários para insistir com o projeto aprovado há duas semanas.

A soja ocupa mais de 50% da superfície cultivada na Argentina e é considerada o 'ouro verde' do século XXI' no país, onde toda a oposição se uniu aos agricultores para realizar gigantescas manifestações.

O ex-presidente Néstor Kirchner (2003-2007), líder do peronismo e marido da presidente, assegurou que o governo respeitaria a decisão do Congresso, e reiterou que o objetivo oficial é impedir que 'na mesa dos argentinos haja preços internacionais dos alimentos'.

Repercussão negativa

A reta final da sessão do Senado foi acompanhada por panelaços em Buenos Aires e nas principais cidades do interior da Argentina em protesto contra Cristina. Os Kirchners apostaram seu prestígio político nesta votação e perderam.

A votação foi motivo de tensão entre o governo argentino e ruralistas do país, que eram contrários à aprovação do tributo.

Em quatro meses os ruralistas realizaram quatro locautes contra o aumento de impostos de Cristina. O governo negou-se a retroceder e intensificou o confronto. Desde março, a classe média portenha, irritada com a escalada inflacionária e os escândalos de corrupção do governo, aderiu aos protestos ruralistas e os respaldaram com panelaços contra a presidente.

A crise desgastou Cristina, cuja popularidade despencou. Em junho, a presidente apostou na solução para o impasse via Parlamento. Mas superestimou seu cacife político e não contou com a deserção de parlamentares governistas.

(Com informações da AFP e Agência Estado)

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