As discussões sobre o plano de socorro financeiro prosseguirão neste final de semana no Congresso dos Estados Unidos, após a apresentação de uma contraproposta, por parte dos republicanos da Câmara de Representantes, visando defender o dinheiro dos contribuintes.

A presidente democrata da Câmara de Representantes, Nancy Pelosi, garantiu nesta sexta-feira, em entrevista coletiva, que todos "trabalharão durante o final de semana" para chegar a um projeto de lei que "será firmado pelo presidente".

Na mesma entrevista, o democrata Barney Frank, que participa das negociações na Câmara, acusou os republicanos da casa de bloquear a conclusão de um acordo: "Tivemos hoje duas sessões de negociações com os democratas do Senado, os democratas da Câmara e os republicanos do Senado, mas os republicanos da Câmara se recusaram a participar".

A contraproposta dos republicanos da Câmara confundiu os democratas, que tinham anunciado um acordo sobre o plano de socorro do governo de 700 bilhões de dólares no início da tarde de quinta-feira.

O presidente George W. Bush insistiu hoje em que o país precisa urgentemente do plano de socorro aos bancos: "Nós precisamos de um acordo de resgate do setor financeiro. Devemos agir rapidamente. Temos um enorme problema".

"Há desacordos sobre alguns aspectos do plano de socorro, mas não há desacordo sobre o fato de que alguma coisa importante deve ser feita".

Bush disse ao primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, que acredita que o plano enviado ao Congresso será "suficientemente importante" para solucionar a crise.

O senador democrata Christopher Dodd, presidente da Comissão de Bancos do Senado, mostrou à imprensa um documento de dezenas de páginas, resultado de sete dias de negociações.

"Há dois ou três princípios que não são negociáveis. Os têrmos são negociáveis, mas os princípios, não", disse Dodd ao apresentar o documento. Entre os princípios citados há a limitação das indenizações para os dirigentes de empresas e a defesa dos contribuintes.

A contraproposta apresentada pelos republicanos da Câmara foi elaborada por um grupo dirigido pelo representante Eric Cantor e destaca que qualquer pacote deve ter um sistema de seguros ampliado, financiado pelos bancos, para resgatar hipotecas individuais, evitando, assim, que o contribuinte americano pague a conta do socorro ao sistema bancário.

O influente senador democrata Charles Schumer, membro da Comissão de Bancos do Senado, criticou a contraproposta dos republicanos, e disse que ela coloca em risco a rápida aprovação do pacote de socorro.

emp/LR

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