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Confiança no setor financeiro voltará com medidas decisivas, diz FMI

SÃO PAULO - Medidas de política monetária decisivas e coerentes em nível internacional são necessárias para restaurar a confiança no sistema financeiro global perante a turbulência atual. A observação é do Fundo Monetário Internacional (FMI) em documento distribuído nesta terça-feira.

Valor Online |

"Ao fracassar nessas ações, pode-se conduzir a um período em que o processo de desalavancagem em curso se torne altamente desordenado e custoso para a economia real", notou o Fundo no Relatório de Estabilidade Financeira Global. O organismo lembrou que as instituições financeiras estão se livrando de ativos podres, reduzindo empréstimos e buscando dinheiro novo, mas as restrições no sistema se intensificaram dramaticamente em meados de setembro depois do colapso ou quase de várias entidades importantes.

"A confiança nas instituições financeiras e mercados foi muito abalada pelo tumulto no ambiente global de crédito que tem suas raízes no mercado hipotecário subprime dos Estados Unidos e se espalhou para outros setores financeiros", sustentou o FMI, que acrescentou que aumentaram os riscos em uma série de áreas, especialmente o risco ao crédito, e os riscos de mercado e liquidez.

O organismo observou que países europeus também estão sentido a dor, sendo que alguns deles registram altos preços das moradias e tomadores de empréstimos que postergam suas obrigações. Os mercados emergentes, segundo o Fundo, também parece estar altamente sob risco.

"A época de soluções fragmentadas acabou. Atento os formuladores de política monetária que lidem urgentemente com a crise em nível nacional com medidas abrangentes para restaurar a confiança no setor financeiro. Ao mesmo tempo, os governos nacionais devem coordenar de perto esses esforços visando ao retorno da estabilidade no sistema financeiro internacional", frisou o diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn.

O relatório do Fundo ressalta que a experiência de crises passadas sugere que as políticas para tratar a instabilidade sistêmica precisam ser consistentes e coerentes nos países afetados. Entre as ações, o órgão multilateral sugere uma abordagem em três frentes - retirar ativos ilíquidos e com problemas dos bancos, injetar capital em instituições viáveis sofrendo com as percepções incorretas de mercado e auxiliando os mercados de empréstimo a retornar à normalidade.

"Uma abordagem ampla, se consistente entre os países, deve ser suficiente para recuperar a confiança e o funcionamento apropriado dos mercados bem como evitar uma desaceleração prolongada na economia global. Acreditamos que um sistema financeiro mais resistente sairá do processo de desalavancagem e reestruturação que está em curso", disse o diretor do Departamento de Mercados de Capitais e Monetário do FMI, Jaime Caruana.

O organismo considerou que as instituições financeiras continuam tendo perdas e, ao menos que recebam injeção suficiente de capital, a viabilidade de algumas delas é incerta. Consta do documento que as perdas com títulos e empréstimos gerados nos Estados Unidos podem ser de US$ 1,4 trilhão, acima dos US$ 945 bilhões calculados em abril deste ano.

Com grande parte dessas perdas já realizadas até o fim de setembro (US$ 560 bilhões), os preços das ações de bancos seguiram em queda e as perspectivas de receita ficaram estagnadas. "Levantar capital novo tornou-se mais difícil, afetando os bancos no reparo de seus balanços com problemas", sublinhou o FMI.

O relatório contempla ainda, usando projeções do documento Perspectivas Econômicas Mundiais, do próprio Fundo, que o crescimento do crédito nos Estados Unidos, zona do euro e Reino Unido moderará para quase zero no próximo ano antes de subir novamente em 2010.

O FMI frisou que o processo de desalavancagem é necessário e inevitável, mas não precisa ocorrer de forma desordenada, e citou a aprovação recente do plano do governo dos Estados Unidos para que o Tesouro do país compre ativos problemáticos.

Observou que é preciso apoiar o preço do ativo, mas que isto é apenas um elemento da solução em três vias. As entidades financeiras necessitam elevar mais capital, uma estimativa de US$ 675 bilhões, mas não podem fazer isso sob as condições atuais. Sem a capacidade de obter dinheiro novo nos mercados privados, a recapitalização com dinheiro público deve ser avaliada, disse o FMI.

Até recentemente, continuou o organismo, os mercados emergentes parecem resistentes aos contágios dos mercados maduros, mas isso mudou nas últimas semanas. A fuga de capital se intensificou, desembocando em condições de liquidez externas mais restritivas e, em alguns casos, em nível doméstico. "Os problemas foram mais sérios naquelas economias com sistemas bancários alavancados e setores corporativos que confiam em financiamento internacional", declarou.

O Fundo nota ser verdade que as economias emergentes fizeram vários progressos em uma série de setores. De maneira geral, possuem maior equilíbrio fiscal, mais reservas internacionais, melhores estruturas de formulação de política monetária e situação econômica mais saudável. "Muitas dessas melhorias estão relacionadas com o recente estouro do preço das commodities", ponderou.

O FMI prosseguiu, ressalvando que, enquanto economias emergentes realizaram melhorias no campo financeiro e fiscal, outras permanecem vulneráveis.

(Juliana Cardoso | Valor Online)

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