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Confiança do consumidor paulista cai e atinge menor nível do ano

SÃO PAULO - Nem abatimento de imposto de renda, nem melhora das condições de crédito. Para a Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio), a melhor maneira de combater a crise de confiança vigente entre os consumidores é o governo mostrar que está comprometido com a redução de gastos e direcionamento de recursos para investimentos que possam garantir o nível de emprego.

Valor Online |

Dados divulgados hoje pela entidade mostram que o índice de confiança dos consumidores paulistanos caiu 4,2%, para 127 pontos neste mês de dezembro, em relação a novembro. No confronto com dezembro do ano passado, a baixa chegou a 9,4%. Foi a terceira queda consecutiva do sentimento de confiança dos paulistanos.

Embora 127 pontos ainda represente otimismo em uma base de 0 a 200, a entidade destaca que esse foi o menor nível de confiança já registrado neste ano e também o pior para meses de dezembro desde 2003.

Tendo em vista que a crise internacional rapidamente se desdobrou em uma crise de confiança, os dados os não são piores pois dezembro é um mês sazonalmente aquecido pelo Natal, conforme lembrou hoje Antônio Carlos Borges, diretor-executivo da Fecomercio.

Borges destaca que a avaliação sobre o presente, medida pelo Índice das Condições Econômicas Atuais (ICEA), caiu 9% de novembro para dezembro, para 118,6 pontos, e foi mais afetada pelas notícias sobre crise e seus efeitos do que o Índice de Expectativas dos Consumidores (IEC), que mede a confiança no futuro e caiu 1,3% em relação a novembro, para 132,5 pontos.

O risco de desemprego gerado pelas incertezas com a crise internacional é a principal sombra do indicador sobre o momento atual. Borges lembra que o brasileiro, acostumado a lidar com outras crises financeiras, tem habilidade para interromper gastos com consumo e se prevenir para o pior.

O economista Paulo Rabello de Castro, presidente do Conselho de Planejamento Estratégico da Fecomercio, concorda com a avaliação e diz que por essa razão o governo precisa adotar outras estratégias para acalmar os consumidores. Enquanto houver risco de desemprego, os brasileiros evitam gastos e endividamento, mas é justamente o consumo das famílias que vai determinar o desempenho do varejo e da atividade em 2009.

Para o economista, o ideal é que o governo faça uma revisão realistas dos gastos de custeio, gastos com juro e com a previdência, garantindo isso principalmente com corte de juros e redução da folha de pagamentos da União. O direcionamento de recursos para as obras do PAC e investimentos que gerem empregos surtiriam efeito muito maior sobre a confiança dos consumidores, diz Castro.

Outro viés importante a ser discutido nesse sentido de aumentar a confiança no emprego é a flexibilização das leis trabalhistas. Segundo o jurista Ives Gandra da Silva Martins, presidente do Conselho Superior de Direito da Fecomercio, neste momento especial, é preciso avançar nas discussões que permitem, por exemplo, flexibilizar por meio de acordo coletivo o número de horas pagas aos funcionários em troca de garantia de emprego por algum período.

(Bianca Ribeiro | Valor Online)

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