RIO - O tombo observado no Índice de Confiança do Consumidor (ICC) em outubro foi maior entre as duas faixas de renda mais altas verificadas pela Fundação Getulio Vargas (FGV). A confiança dos entrevistados com renda familiar mensal entre R$ 4.

800 e R$ 9.600 caiu 12,9% entre setembro e outubro, enquanto para aqueles com renda familiar mensal acima de R$ 9.600 o recuo foi mais intenso, de 14,1%. Nos dois casos as quedas foram as maiores da série histórica, iniciada em setembro de 2005.

Para a faixa de renda mensal até R$ 2.100, o ICC registrou queda de 8,7%, enquanto para as famílias com renda mensal entre R$ 2.100 e R$ 4.800 o recuo foi menor, de 3,5%.

O coordenador do núcleo de pesquisas e análises econômicas, Aloisio Campelo, ressaltou que o recuo da confiança do consumidor é conseqüência da crise financeira atual e explicou que, entre as sete capitais analisadas, São Paulo é a que se apresenta mais pessimista, com 12,6% de baixa no ICC entre setembro e outubro, enquanto a média nacional foi de baixa e 10%.

"Os consumidores em melhor situação de renda sentiram mais os efeitos da crise, talvez por terem mais dinheiro aplicado", frisou Campelo, acrescentando que a cidade de São Paulo tem puxado o índice para baixo.

Campelo ressaltou que a maior contribuição para a queda de 10% no ICC em outubro - o maior recuo da série histórica - veio do Índice de Expectativas, que recuou 8,5% entre setembro e outubro. Apesar de o Índice da Situação Atual ter caído 12,7% no período, Campelo ponderou que o índice de expectativas já vinha em um nível baixo e atingiu o menor nível da série, com 99,9 pontos, pela primeira vez abaixo da base de setembro de 2005, quando começou a pesquisa.

O recuo das expectativas foi puxado pela Situação da Economia Local Futura, um dos três componentes do Índice de Expectativas. O indicador atingiu o menor nível da série, com 92,5 pontos, com o maior percentual histórico - 30,6% - de respostas que apontam para uma piora do cenário. Entre setembro e outubro, a Situação da Economia Local Futura recuou 21,7%.

Entre os outros componentes do Índice de Expectativas, a Situação Financeira da Família Futura caiu 6%, para 124 pontos, enquanto as Expectativas de Compras de Bens Duráveis subiu 7%, para 85,1 pontos. Campelo não considerou ambíguo o resultado da pesquisa, que aponta o aumento do pessimismo e ao mesmo tempo indica um maior interesse na compra de bens duráveis no futuro.

"É sazonal. O consumidor já responde pensando nas compras de Natal. Até porque, apesar da alta, o nível continua muito baixo", destacou o economista.

Entre os componentes do Índice da Situação Atual, a Situação Atual da Economia Local caiu 25,2%, para 61,9 pontos, enquanto a Situação Atual Financeira da Família recuou 3,3% entre setembro e outubro, para 106,5 pontos.

(Rafael Rosas | Valor Online)

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