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Conclusão de Doha tem novo desafio

Fortalecidos pela recessão nos países ricos, China e Índia alertam: não abrirão seus mercados e serão os países industrializados que terão de fazer concessões para permitir um acordo comercial até o fim do ano. Ontem, a Organização Mundial do Comércio (OMC) reuniu seus principais embaixadores para debater como cumprir a decisão do G-20 de concluir a Rodada Doha até o fim do ano.

Agência Estado |

A convocação de uma conferência internacional para meados de dezembro está nos planos. Falta saber quem flexibilizará as posições para permitir um acordo.

No fim de semana, os líderes do G-20 estabeleceram a necessidade de um acordo comercial até o fim do ano como forma de contribuir para a economia global e evitar protecionismos. Ontem, o Brasil declarou que apóia a proposta e atuará para isso. "Vamos trabalhar de forma construtiva", afirmou o embaixador do Brasil na OMC, Roberto Azevedo. Ele convocou para hoje os países emergentes, para aproximar posições. O grupo, porém, tem dificuldades para encontrar posições comuns. Ontem mesmo, tanto Pequim como Nova Délhi disseram que um acordo viria da flexibilização nas demandas da União Européia e dos Estados Unidos, além da abertura de seus mercados agrícolas.

Com o moral em alta depois da cúpula do G-20, em Washington, os países emergentes vão insistir para que suas vozes sejam ouvidas a partir de agora. "Para que haja um acordo, os países ricos deverão ter uma posição mais realista do que estão pedindo. Não podem apenas pedir acesso a nossos mercados. Esse é um processo para gerar desenvolvimento", afirmou o embaixador da China na OMC, Sun Zhenyu.

Um dos pontos que a China promete bloquear é a tentativa de EUA e Europa de conseguir eliminar todos os impostos de importação para setores inteiros da economia. "Isso será difícil, e por isso digo que esses países terão de ter posições mais realistas." Para o chinês, há ainda grandes diferenças nas posições dos governos. "A tradução do mandato que recebemos do G-20 será um desafio", afirmou o negociador de Pequim.

O ministro do Comércio da Índia, Kamal Nath, garantiu que não haverá a possibilidade de seu país aceitar a abertura do seu mercado para bens agrícolas. Nath deixou claro que está disposto a viajar para uma conferência internacional em dezembro. No entanto, as concessões não viriam dele.

A Índia ainda esnoba a iniciativa brasileira de unir os países emergentes em torno do G-20 (grupo de países em desenvolvimento). "Que grupo é esse?", ironizou o embaixador da Índia na OMC, Ujal Bhatia. A Índia foi um dos fundadores do bloco em 2003. "Há um G-20 morto e um vivo", disse, sobre o G-20 que se reuniu nos EUA.

Outros países também deixaram claro que concessões cabem a europeus e americanos. "Os países ricos precisam traduzir o mandato do G-20 em flexibilidades concretas. Os países ricos não podem apenas pedir", afirmou o embaixador da África do Sul, Ismael Faizal.

Tanto China como Índia estiveram entre os dois países que acabaram dificultando um acordo na OMC em julho. A Rodada Doha foi lançada em 2001. Mas enfrenta dificuldades para ser concluída diante das diferenças entre os países sobre como deve ocorrer a liberalização dos mercados. Ambos sabem que agora têm um peso maior nos debates, diante da fragilidade dos países ricos com a crise.

Apesar de não declarar publicamente, o Itamaraty espera que haja uma mudança de atitude dos países emergentes para que aceitem um acordo.

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