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Genebra - A Rodada de Doha e a necessidade de negociar para que a mesma seja concluída em 2010 concentrou hoje todos os discursos no primeiro dia da reunião ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC), apesar de não fazer parte da agenda oficial do evento.

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Os países-membros decidiram em maio passado que as negociações do processo de liberalização comercial, que começou em 2001, na cidade do Catar homônima, não fariam parte da ordem do dia da 7ª reunião ministerial, realizada com dois anos de atraso.

Segundo a normativa interna da OMC, os encontros ministeriais devem ocorrer a cada dois anos, no entanto, já passaram 4 anos desde a última reunião em Hong Kong, precisamente porque não queriam convocar outro encontro sem uma negociação que levasse a uma conclusão da rodada.

No entanto, este foi o caso: a reunião ministerial foi convocada sem que a rodada estivesse na ordem do dia, mas de qualquer forma dominou todos os discursos.

"Queremos dar uma mensagem forte e clara: precisamos concluir a rodada em 2010", afirmou em entrevista coletiva Simon Crean, ministro do Comércio da Austrália, resumindo assim o parecer de todos os que tomaram hoje a palavra.

Os países consideram que, para relançar as negociações, é necessário convocar uma reunião ministerial para o início do próximo ano.

A ideia surgiu ontem com os países em desenvolvimento Grupo dos Vinte (G20), o Grupo dos Trinta e Três (G33) e os países africanos.

Hoje aderiram também o Grupo de Cairns (exportadores agrícolas), dos Estados Unidos e da União Europeia (UE).

"A equipe americana de negociadores está pronta para entrar no jogo final", afirmou o representante de Comércio dos Estados Unidos, Ron Kirk, e acrescentou que os "Estados Unidos estão comprometidos em apoiar a conclusão da Rodada de Doha, algo que é possível em 2010".

A declaração de Kirk era muito esperada, dado que os países em desenvolvimento tinham se queixado da inatividade do Governo do presidente americano, Barack Obama, que em mais de dez meses no poder não tinha mostrado suas cartas em relação à negociação.

Apesar do compromisso público, Kirk deixou claro que um "bom resultado" da rodada será aquele que assegure "maior acesso a mercados e novas oportunidades de comércio na agricultura, nos produtos industrializados e nos serviços".

Além disso, o embaixador americano pediu co-responsabilidade ao restante dos países, especialmente às nações emergentes, e deixou claro que apesar de "os Governos desenvolvidos terem um papel importante, cabe também aos países em desenvolvimento uma participação maior".

A comissária europeia de Comércio, a britânica Catherine Ashton, que hoje exerceu pela última vez o cargo, ressaltou a lentidão do processo.

"Estamos avançando muito lentamente se queremos concluir a rodada em 2010", afirmou Ashton, que a partir de terça-feira será a responsável pela Política Externa e de Segurança da UE.

Em todos os discursos os ministros, no entanto, defenderam a OMC como instituição e louvaram o papel de controle que exerce.

"Todos sabem o papel da OMC para impedir no auge da crise econômica mundial a implantação de tendências protecionistas", afirmou o ministro da Fazenda do Chile e presidente da 7ª reunião ministerial, Andrés Velasco.

O diretor-geral da OMC, o francês Pascal Lamy defendeu a existência e as funções da instituição que dirige.

"Agora, mais do que nunca, chegou o momento de reforçar a mensagem que o comércio aberto é um jogo em que todos ganham".

Lamy "demonstrou convicção que a maior contribuição que se pode fazer à melhoria do comércio mundial é acabar com a rodada, e defendeu a conclusão da mesma o mais rápido possível".

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