Concessionários de aeroportos garantem investimentos para Copa

Desembolsos até o evento deverão somar R$ 626,5 milhões em Brasília e R$ 1,38 bilhão em Guarulhos

iG São Paulo | 06/02/2012 18:03

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As obras exigidas pelo governo nos aeroportos de Guarulhos, Viracopos e Brasília até a Copa do Mundo de 2014 serão entregues no prazo, garantiram nesta segunda-feira representantes dos consórcios vencedores do leilão desses terminais.

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Os investimentos até a Copa deverão somar R$ 626,5 milhões em Brasília e R$ 1,38 bilhão em Guarulhos. Em Viracopos, a exigência antes do Mundial de futebol é de aportes de R$ 873 milhões.
"A gente sabe da responsabilidade de entregar tudo que é previsto até a Copa", disse o presidente da Invepar, Gustavo Rocha. A Invepar faz parte, juntamente com a sul-africana ACSA, do consórcio que arrematou a concessão do aeroporto de Guarulhos, o mais movimentado do país, por R$ 16,2 bilhões.

Tanto ele quanto o representante do consórcio Inframérica, José Antunes Sobrinho, asseguraram que os investimentos serão entregues até 2014. Formado pela Engevix e a argentina Corporación América, o consórcio Inframérica levou, por R$ 4,5 bilhões de reais, a concessão do aeroporto de Brasília. "O aporte de capital inicial na primeira etapa será do BNDES", disse o presidente da Triunfo Participações, que fez parceria com a UTC Participações e a francesa Egis Airport Operation para levar Viracopos por R$ 3,8 bilhões, Carlo Alberto Botarelli.

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O presidente da Invepar não descartou lançar mão futuramente das debêntures de infraestrutura com benefícios fiscais -recentemente regulamentadas pelo governo- para financiar os investimentos até a Copa. "Acho que será uma opção importante para financiar a infraestrutura no longo prazo. Se for adequado vamos usar. Talvez nessa primeira fase (até 2014), a gente vá ao BNDES. Mas, no médio prazo, com certeza vamos olhar a oportunidade das debêntures", disse Gustavo Rocha.

Os outros consórcios vencedores evitaram responder se vão emitir as debêntures, cujos rendimentos terão Imposto de Renda reduzido ou até isento, no caso de pessoas físicas.

Infraero

Os três vencedores do leilão elogiaram a Infraero, atual responsável pela administração dos aeroportos, e disseram ver com bons olhos o fato de a estatal ter 49% de participação nas concessões.

José Antunes Sobrinho, representante do consórcio Inframérica, afirmou que acha positivo até pelo fato de que a Infraero é hoje a administradora dos terminais e conhece melhor do que ninguém a forma como são administrados. "Os terminais hoje estão na mão deles e seria difícil começar um negócio do nada", disse. Para Botarelli, do consórcio Aeroportos Brasil, há uma curva de aprendizado que será facilitada pela associação com a estatal.

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O presidente da estatal, Gustavo do Vale, garantiu que a Infraero não vai interferir nas Sociedades de Propósito Específico (SPEs) que vão administrar os terminais. "Os três aeroportos têm sócios privados majoritários". É a mesma opinião de Cláudio Jorge Pinto Alves, professor do ITA, que já foi cotado para presidência da Anac. Para ele, o edital de concessão deixa pouca margem para manobras do gênero, mesmo no caso da Invepar, que tem participação majoritária de fundos de pensão estatais (Previ, Petros e Funcef). O valor do lance (R$ 16,2 bilhões) se deveu ao fato de Guarulhos ser "uma vaca leiteira".

Sem viva-voz

As concessões de Guarulhos e Viracopos foram definidas nos lances da primeira fase, já que nenhum investidor apresentou contrapropostas para esses terminais na etapa viva-voz.

Apenas em Brasília houve disputa em viva-voz, entre o consórcio vencedor, Inframérica, e o grupo formado por OHL Brasil e a espanhola Aena.

Em Guarulhos, o lance inicial de R$ 16,2 bilhões da Invepar-ACSA, com ágio de 373,5%, acabou afugentando os outros interessados. "Quem deu um ágio maior logo de cara viu potencialidade que os outros não enxergaram", disse o secretário-executivo da Secretaria da Aviação Civil, Cleverson Aroeira.

Rocha, da Invepar, disse que a empresa estudou a concessão por oito meses, com uma equipe de cerca de 100 pessoas, e garantiu que vai entregar retorno aos acionistas e o serviço aos usuários.

Questionado se o valor pago não foi alto demais, uma vez que a segunda colocada ofereceru R$ 12 bilhões, o executivo disse apenas que confia na avaliação de sua equipe e que os planos para ampliar os ganhos no terminal de Guarulhos se baseaim em um forte aumento das receitas não tarifárias, como o aluguel de espaços para lojas e restaurantes. "A Infraero, com os recursos que tem hoje, fez um grande trabalho no Brasil", disse Rocha, da Invepar. "Temos uma flexibilidad para levantar recursos e de operação que a Infraero hoje não tem".

O ministro-chefe da Secretaria de Aviação Civil, Wagner Bittencourt, disse que a procura pelos aeroportos brasileiros justifica-se pelo fato de o Brasil ter baixo risco e boas condições de financiamento. Para ele, o ágio elevado foi uma sinalização positiva de que os investimentos são seguros e rentáveis.
Para o ministro, o país tem boas perspectivas de crescimento, "principalmente no setor aeroportuário, que continua crescendo a dois dígitos".

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