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A consolidação no varejo, um dos setores que mais demandam publicidade, preocupa as agências de propaganda, que têm o desafio de tornar o movimento favorável ao segmento. É o que apontou o presidente da Associação Brasileira das Agências de Publicidade (Abap), Luiz Lara, ontem, no Rio, onde abriu o 7.

A consolidação no varejo, um dos setores que mais demandam publicidade, preocupa as agências de propaganda, que têm o desafio de tornar o movimento favorável ao segmento. É o que apontou o presidente da Associação Brasileira das Agências de Publicidade (Abap), Luiz Lara, ontem, no Rio, onde abriu o 7.º Encontro Brasileiro das Agências de Propaganda (Ebap). Segundo Lara, a retomada do crescimento da economia, com especial desempenho do varejo, e o "ano midiático", com Copa do Mundo e eleições, deverão proporcionar um crescimento de 12% no faturamento das agências de publicidade em 2010. O dirigente admitiu que a criação de grandes conglomerados varejistas - como a Máquina de Vendas, fruto da união de Insinuante e Ricardo Eletro, e a integração das Casas Bahia e do Ponto Frio ao Grupo Pão de Açúcar - preocupa o setor, mas pode virar uma oportunidade. Um dos ganhos de sinergia que motivam os negócios é o investimento em publicidade, componente essencial para o setor, movido a constantes promoções. Lara defende que o crescimento das vendas e o acirramento da competição poderá aumentar o volume de investimentos em propaganda e que isso deveria ser feito por agências de mercado, e não concentrado em agências próprias. O Grupo Pão de Açúcar fez essa opção para o barateamento do custo dos serviços de marketing. Por enquanto, Insinuante e Ricardo Eletro mantiveram suas agências, mas Casas Bahia e Pão de Açúcar já transferiram a verba de propaganda do Ponto Frio para a Young & Rubicam. No futuro, especula-se, tudo poderá ser concentrado na PA, a agência própria do Pão de Açúcar. "A consolidação preocupa, mas a gente acredita que os investimentos em propaganda vão aumentar. Com as novas plataformas de mídia e o aumento do consumo, vai ter de falar com mais gente. Mas é um jogo mais complexo, mais acirrado, e temos de nos preparar para disputar contas", afirmou Lara, em entrevista coletiva após a palestra de abertura do evento, feita pelo presidente da Lojas Renner, José Galló. Valorização regional. A portas fechadas, Galló falou à plateia de mais de 350 profissionais do meio publicitário de 218 agências, sendo 130 delas localizada fora do eixo Rio-São Paulo, sobre a estratégia de mídia que acompanhou a expansão da sua rede de lojas. Para ele, a empresa, que nasceu no Rio Grande do Sul e hoje tem alcance nacional, obteve sucesso graças aos trabalhos de agências regionais. Atualmente, a Renner é atendida pela Paim, de Porto Alegre. Para Lara, a emergência de redes regionais de varejo gera oportunidade para as agências locais crescerem. No entanto, ele alertou que elas precisam se organizar para manter a rentabilidade. Em parceria com a Federação Nacional das Agências de Propaganda (Fenapro), a Abap traçou ações para aumentar a defesa da autorregulamentação e a profissionalização do setor.
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