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Compulsório demora a virar crédito

A resposta dos bancos às medidas adotadas pelo Banco Central (BC) para irrigar o mercado de crédito brasileiro tem sido extremamente tímida. Diante das incertezas sobre o tamanho da desaceleração da economia mundial, as instituições decidiram priorizar a sua própria liquidez e diminuir o ritmo dos empréstimos em todas as modalidades de crédito, inclusive para o consumidor.

Agência Estado |

"O momento é traumático. Estamos num ambiente de dúvida em relação ao futuro. Por isso, os bancos estão arredios ao risco", explica o economista da RC Consultores, Fábio Silveira. Na avaliação dele, é preciso restaurar a confiança de que o País terá capacidade para crescer em 2009 e manter os atuais níveis de emprego e renda. "O problema é que há uma nuvem de poeira sobre o comportamento dessas variáveis no futuro", diz o economista.

Apesar de o BC ter anunciado, por duas vezes, a liberação do tão criticado compulsório, a situação ainda não mudou. Segundo dados da Associação Nacional das Instituições do Mercado Financeiro (Andima), o dinheiro liberado está sendo devolvido à autoridade monetária todos os dias por meio da compra de títulos públicos. Ontem o volume de recursos atingiu R$ 72 bilhões, ante uma média de R$ 29 bilhões em agosto e R$ 49 bilhões, em setembro.

O movimento provocou a irritação do presidente Lula. Em viagem pela Índia, ele ameaçou punir os bancos que receberam dinheiro do compulsório e não estão repassando o dinheiro na forma de empréstimos. Segundo ele, o BC terá de tomar uma atitude e pegar o dinheiro de volta. As instituições financeiras, no entanto, negam que isso venha ocorrendo.

Em nota, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) disse que entende e partilha da preocupação do presidente da República em relação à normalidade das operações de crédito. A entidade informa que diversas operações têm sido realizadas desde a liberação dos compulsórios. "É importante ressaltar que os bancos estão empenhados em atuar, em conjunto com o BC, para o rápido restabelecimento das condições de liquidez dos mercados."

A primeira liberação do compulsório feita pelo BC tinha o objetivo de tornar viável a compra de carteiras de crédito de bancos pequenos e médios, com dificuldade para captar recursos no mercado e honrar seus compromissos. Algumas instituições anunciaram a compra de portfólios. Mas tudo ainda é muito tímido, afirmam analistas. Bradesco, Unibanco, Itaú e Santander anunciaram a aquisição de carteiras nos últimos dias. As operações devem somar cerca de 10 portfólios.

"A resposta das instituições à irrigação do mercado não está ocorrendo na velocidade esperada pelo governo", diz o analista da Austin Rating, Luiz Miguel Santacreu. Segundo ele, do ponto de vista de atratividade e rentabilidade, a compra de carteiras de crédito e a concessão de crédito estão muito vantajosas. De acordo com informações do mercado, a aquisição de portfólio referente a empréstimos de veículos tem rendido cerca de 150% do CDI para os grandes bancos. Além disso, os riscos de inadimplência quase sempre são divididos entre as duas instituições (o vendedor e o comprador).

"Mas, nesse ambiente de insegurança, os bancos estão olhando para seus passivos e para o horizonte que podem ficar sem o dinheiro emprestado", diz Santacreu. O analista da Lopes Filho, João Augusto Salles, concorda. "Diante de tanta incerteza, não adianta o governo tentar forçar uma situação." Ele diz, porém, que os bancos correm o risco de perder mercado, já que Banco do Brasil, Caixa e Nossa Caixa reforçaram o apetite para a compra de carteiras. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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