Compressão define o som cristalino Por Jocelyn Auricchio e Lucas Pretti São Paulo, 08 (AE) - Quando surgiu, o MP3 foi uma verdadeira revolução. Antes dele, os arquivos de áudio digital eram gravados exclusivamente em WAV, um formato sem compressão que era a transcrição fiel do som.

Em uma de suas formas mais fiéis, o WAV consegue estocar som na mesma qualidade do CD, mas a um preço: cada minuto de áudio em alta qualidade consome em média 9 megabytes (MB) de espaço.

No MP3, o que acontece é uma redução com perdas do som. O método de compressão com perdas empregado na compressão do MP3 consiste em retirar do áudio tudo aquilo que o ouvido humano normalmente não conseguiria perceber, devido a fenômenos de mascaramento de sons e de limitações da audição humana. Essas freqüências inaudíveis para o ouvido comum são descartadas e "espremidas" para que o arquivo fique muito menor do que originalmente era. Quanto menor o arquivo, maior será a perda de som.

A taxa de compressão é medida em Kbps (kilobits por segundo), sendo 128 Kbps a qualidade padrão, cuja redução do tamanho do arquivo é de cerca de 90%, ou seja, uma razão de 10:1. Essa taxa de compressão atualmente pode chegar até 320 Kbps, a qualidade máxima, na qual a redução do tamanho do arquivo é de cerca de 25%, uma razão de 4:1, passando antes por 192 Kbps e 256 Kbps.

Na hora de ripar um CD ou converter um arquivo de áudio, o usuário precisa indicar ao programa de conversão a qualidade do MP3 que será criado. Arquivos maiores, com 320 Kbps podem ser reconvertidos sem problemas para MP3 com maior compressão, como por exemplo 128 Kbps. Mas uma vez que o arquivo já tenha sido comprimido de forma agressiva, é impossível recuperar o áudio original ou as freqüências descartadas.

Quando surgiu em 2001, o iPod acabou criando um hábito ruim de compressão: como o padrão de conversão era de 128 Kbps, muito do som original se perdia. Dessa forma, era possível levar uma discoteca no bolso, mas pagava-se o preço da perda de qualidade.

Assim, ao ser comprimido, o som fica levemente abafado, sem timbres mais agudos e com uma leve textura metalizada. Para evitar isso, a melhor saída é converter seus CDs em MP3s com 320 Kbps. Qualquer programa de conversão de áudio conta com essa opção no item "preferências". Mas lembre-se: músicas com melhor qualidade ocupam mais espaço.

No bolso do cantor Ed Motta (foto), por exemplo, sempre estão quatro iPods com 160 gigabytes (GB) de capacidade cada - mais de 150 mil músicas. Mas não significa que o músico ache benéfica a compressão de arquivos. Ele inclusive acabou de gravar e começa a distribuir seu último álbum em vinil.

"Desde a fita de rolo há compressão no som e isso já foi usado como estética, linguagem. A diferença é que a compressão digital é plástica, menos interessante", afirma. Para ele, o timbre analógico é "físico", "chega na pele" e seria perfeitamente possível não digitalizar nada, se não quisesse. Ao contrário, sua gravadora, a Trama, costuma distribuir e promover os arquivos digitais.

Ed Motta não é radical. Nos iPods, 90% dos arquivos estão em AAC, uma evolução do MP3 com, segundo ele, um timbre "mais doce". "Soa menos comprimido que o MP3, bom para quem precisa carregar os sons, como eu." A revolução é justamente esta: portabilidade.

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