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Comprar à vista ou com ¿entrada gorda¿ são as melhores opções, dizem especialistas

O mercado imobiliário já mostra influência da crise financeira mundial e, neste cenário de desaceleração econômica, todo cuidado na hora de adquirir um imóvel é bem vindo. ¿É um momento de cautela, mas quem tiver dinheiro para comprar à vista não tem problema porque conseguirá um bom desconto¿, afirma Cláudio Carvajal, co-autor do livro Como sair do vermelho e se tornar um investidor de sucesso (Editora Porto de Idéias).

Lecticia Maggi, repórter do Último Segundo |

 

O economista especializado em finanças pessoais Francis Brode Hesse explica que o mercado deve voltar a patamares de crescimento parecidos ao que tinha antes do boom econômico de 2007 e 2008. Para 2009, a previsão do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de São Paulo (Sinduscon- SP) é de crescimento do setor entre 3,5% e 4,7%. Os preços estavam irreais. O mercado estava aquecido e com muita procura. Isso vai acabar, afirmou Brode Hesse. Ano que vem será o momento de aproveitar as pessoas para comprar das pessoas que precisam vender e as incorporadoras que têm que fazer caixa. Quem tiver dinheiro à vista vai fazer um bom negócio, acrescenta.

Arte/US

Mas, como grande parte da população não tem, as opções são: fazer um financiamento, leilão ou consórcio ou continuar no aluguel. Mesmo com a restrição de crédito no mercado, Carvajal considera que, para quem precisa de um imóvel em curto prazo, o financiamento ainda é a melhor opção. O professor destaca os financiamentos que serão realizados pela Caixa Econômica Federal (CEF) com taxa de juro de 5%, a partir de 2009, para quem tiver renda mensal de até R$ 2 mil. O crédito é voltado para imóveis avaliados em até R$130 mil. Segundo ele, quanto maior a entrada que o consumidor fizer, mais rápido vai conseguir liquidar a dívida e menos juros vai pagar. Na hora de contratar não pode comprometer mais de 30% da sua renda familiar mensal, avisa.

A técnica da Fundação de Defesa e Proteção ao Consumidor de São Paulo (Procon- SP) Renata Reis explica que, antes de fechar o negócio, é preciso se informar com a construtora sobre qual valor será pago durante a execução da obra e, com o banco escolhido, se será possível obter o financiamento.

Eu não tenho como obrigar o banco a dar crédito. Não vale o corretor falar que você vai conseguir, tem que ver com o banco, alerta. No sistema de compra de imóveis na planta, o consumidor para as parcelas para a construtora até a entrega das chaves. Depois disso, pode quitar o valor restante ou financiá-lo com o banco.

Cuidados na hora da compra

A opção de comprar o imóvel na planta pode ser mais vantajosa, segundo o economista Hesse, mas também a que exige mais cuidado neste momento de crise. Na planta há a possibilidade de ganhos de até 20% se for vender depois, mas eu não aconselho a comprar agora porque você está sendo sócio da construtora no empreendimento e não sabe como ela vai reagir à crise, diz. A recomendação é procurar uma construtora ou incorporadora grande, com nome reconhecido no mercado e, antes de fechar negócio, se informar sobre o seu histórico.

O problema é a compra por impulso, enfatiza Renata, do Procon. Segundo ela, para evitar transtornos futuros, o consumidor deve verificar na prefeitura de sua cidade se a obra não está embargada e no cartório de registro de imóveis se a construção está no nome da empresa. Mesmo quando várias construtoras estiverem envolvidas em uma obra, uma delas deve figurar no cartório de registro. Se houver divergência, não assine o contrato, porque, depois que pagar a entrada, é mais difícil regularizar a situação, explica.

Não posso pagar. E agora?

Segundo Renata, o Código de Defesa do Consumidor assegura aos consumidores a devolução de parte do dinheiro consumidores se desistirem da compra. Para isso, ele precisa fazer uma solicitação de cancelamento por escrito, com um prazo para a empresa se manifestar. Se ela não se manifestar ou se o consumidor não concordar com o valor que será devolvido, ele pode procurar um órgão de defesa do consumidor, afirma.

O consumidor não é obrigado a comprovar o motivo pelo qual desistiu da compra, mas a empresa tem que mostrar os custos que teve com a rescisão para estabelecer quanto poderá devolver. Se o problema não for resolvido na esfera administrativa, o cliente pode recorrer ao poder Judiciário. Nestes casos, deve ser acompanhado de um advogado.

Leilão e consórcio

Quem precisa de um imóvel rapidamente deve esquecer o sistema de consórcio, já que não é uma linha de crédito automática.

O consórcio funciona por meio de autofinanciamento entre um grupo de pessoas, que pagam prestações pré-estabelecidas por mês. O consorciado pode ser contemplado por sorteio ou lance e, com isso, recebe uma carta de crédito, que pode ser utilizada na aquisição do bem escolhido. É para quem não tem pressa. A pessoa tem que estar consciente que pode ser a última contemplada, afirma Carvajal.

Para adquirir uma cota, o cliente deve assinar um contrato de adesão com a instituição escolhida, onde são estabelecidas as regras como taxa de administração, prazo de contratação, valor das prestações e dos reajustes e condições de contemplação, entre outras. Como investimento é interessante. Você não paga juros, só a taxa de administração mensal, completa Carvajal.

Quem deseja obter um imóvel de forma rápida e com preços abaixo dos praticados no mercado pode se arriscar nos leilões, que são realizados por bancos para venderem os bens retomados de clientes inadimplentes. Os valores iniciais podem ser de até 50% do valor do imóvel. Os leiloeiros também saem ganhando já que têm direito a 5% do valor arremato pelo bem.

Os problemas, segundo o consultor Francis Hesse, são as enrascadas a que consumidores menos familiarizados com o sistema podem se envolver. Em primeiro lugar, Hesse aconselha o candidato a ir visitar o imóvel e avaliá-lo. Não se deve comprar com base somente em descrições e fotos. Ele tem que ir visitar e procurar na redondeza alguns corretores para ver quanto vale aquele apartamento e até que ponto a compra é vantajosa, aconselha.

A forma de pagamento varia conforme a instituição e nem sempre é necessário que seja à vista. A documentação e situação do imóvel no momento da aquisição é outro ponto a que o consumidor deve estar atento, já que a residência pode estar locada e, nesses casos, a mudança tem que ser adiada.

Até quando pagar aluguel?

De acordo com pesquisa mensal realizada pelo Sindicato da Habitação (Secovi), o valor da locação residencial na cidade de São Paulo registrou aumento de 0,8% em outubro. Nos últimos 12 meses, a alta acumulada foi de 12,33%. Os tipos de residência que mais sofreram elevação nos preços foram as casas e apartamentos com três dormitórios, que subiram 1,6% em outubro comparativamente aos aluguéis de setembro.

O administrador de empresas e consultor imobiliário Aldo Mondini Filho explica que aumento do aluguel ocorre pela alta nos preços dos imóveis. O aluguel sobe porque a locação corresponde de 0,5% a 0,6% do valor do imóvel, afirma. A tendência é, portanto, que com a queda esperada pelos especialistas, no valor dos imóveis para o próximo ano, o aluguel também caia.

Na hora de alugar um imóvel é importante acertar também com o locador o valor que será cobrado em casos de inadimplência. A multa de 2% só é estabelecida para condomínio e outorga de crédito. Para locação, ela pode ser superior a 2%, alerta Renata Reis, do Procon. Para Carvajal, o aluguel só vale a pena se for para dar uma entrada maior no valor do imóvel. Recomendo o aluguel para a pessoa que vai ficar um ano, dois, para juntar dinheiro para as parcelas e para dar uma entrada boa. Às vezes, é um mal necessário, considera.

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