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Compra da Budweiser pela InBev é colocada à prova

Por Philip Blenkinsop BRUXELAS (Reuters) - A determinação da InBev em se tornar a maior cervejaria do mundo parece intacta, mas a empresa ainda tem a tarefa de convencer investidores de que conseguirá fazer isso depois de ter sido forçada a adiar uma emissão de títulos no mês passado.

Reuters |

Os investidores buscarão uma certa segurança de que a InBev conseguirá de fato levar adiante a compra da Anheuser-Busch, fabricante da Budweiser, por 52 bilhões de dólares, quando ambas as empresas divulgarem resultados de terceiro trimestre na quinta-feira

A InBev, da qual faz parte a brasileira AmBev, deve reafirmar seu compromisso com o negócio, mas também poderá fornecer mais detalhes sobre o financiamento, possivelmente mostrando que tem certo grau de flexibilidade.

A companhia já assegurou 45 bilhões de dólares em financiamento, incluindo 7 bilhões de dólares a serem gerados por desinvestimentos, e está em busca de levantar 9,8 bilhões de dólares via aumento de capital que deveria ocorrer em princípio na segunda metade de outubro.

As ações da Anheuser-Busch atingiram o patamar de 54,35 dólares, muito abaixo do preço de oferta de 79 dólares, em 24 de outubro, dia em que a emissão de dívida foi adiada. Apesar de uma recuperação, as ações da empresa ainda estão sendo negociadas com um pesado desconto de nove por cento em relação ao preço de oferta.

"Ainda resta um medo irracional de que algo pode acontecer", disse Andrew Holland, analista do Dresdner Kleinwort, acrescentando que acredita que o acordo deve seguir em frente.

A maioria dos analistas crêem que a intenção da InBev é firme. Desde a sua formação, com a fusão em 2004 da belga Interbrew com a AmBev, um lema estratégico da empresa tem sido "ser a maior para ser a melhor".

O presidente-executivo da InBev, Carlos Brito, disse que não viu problemas quando a SABMiller assumiu o primeiro lugar em 2007, mas observadores acreditam que a expressão "de volta ao maior" poderia ser acrescentado ao lema.

O acordo também faz sentido para a maioria dos analistas, particularmente se a InBev conseguir enxugar custos de maneira tão eficiente quanto o fez em sua própria estrutura.

A InBev também não tem nenhuma saída clara. Na verdade, se a InBev cancelar sua oferta de 70 dólares por ação, enfrentará uma multa de rescisão de 1,25 bilhão de dólares, e reclamações de acionistas da Anheuser, cujas ações poderiam cair para o patamar de 40 dólares.

As queixas dos acionistas poderiam custar entre 15 bilhões e 25 bilhões de dólares, de acordo com algumas estimativas.

"A operação deve certamente acontecer uma vez que o contrato foi escrito de tal forma que poderá criar uma causa legal enorme, superando os benefícios de uma desistência", disse Trevor Stirling, analista do Bernstein Research.

Stirling argumenta que a InBev poderá se beneficiar se convencer investidores de que poderá financiar o negócio com um pouco mais de dívida até estar pronta para uma emissão de títulos.

Com sua dívida de longo prazo classificada como "Baa2" ou "BBB+", a InBev tem um pouco (mas não muito) espaço para manobra, assumindo que a empresa pretende manter seu grau de investimento.

A InBev também poderá escolher se fornecerá mais detalhes sobre os planos de desinvestimento. Parques temáticos da Anheuser-Busch, negócios com embalagens e as operações da InBev na Coréia são os itens mais prováveis a serem vendidos, mas podem não atingir os 7 bilhões de dólares necessários.

"Talvez eles também tenham que rever os negócios das cervejarias, mas esses outros itens são mais interconectados", disse Holland, do Dresdner Kleinwort.

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