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SÃO PAULO - Empresas de diversos segmento estão se apressando hoje para assegurar os investidores de que não possuem exposição a instrumentos derivativos e cambiais semelhantes aos que fizeram a Sadia e a Aracruz terem prejuízos financeiros. Entre as empresas que divulgaram comunicado ao mercado até agora para esclarecer que não correm risco de perdas com a alta do dólar, a maioria é de exportadoras, como Minerva, Marfrig, Marcopolo, Cosan e SLC Agrícola.

Mas estão no grupo também a incorporadora imobiliária PDG Realty e a empresa do ramo de hotelaria Invest Tur.

De maneira geral, as companhias procuram enfatizar que fazem uma gestão conservadora do seu caixa. Aquelas que admitem usar derivativos, afirmam que as operações servem apenas para proteção dos fluxos a receber em moeda estrangeira.

A PDG disse que decidiu fazer o comunicado após o "recebimento de diversos contatos e questionamentos de investidores e analistas". A empresa diz que não possui endividamento atrelado ao dólar, ou qualquer derivativo ligado a moedas estrangeiras. Ela acrescenta que sua política de caixa "prevê alocação conversadora junto a instituições financeiras nacionais de primeira linha, buscando remuneração atrelada à variação do CDI".

A Cosan, por sua vez, informa que "não tem exposição alavancada em derivativos de variação cambial com caráter especulativo, limitando-se ao gerenciamento de risco por meio de hedge (proteção)".

A Invest Tur afirma que segue com sua política conservadora de gestão de caixa e que "não possui nenhum ativo vinculado à variação cambial e/ou renda variável, sendo a totalidade das aplicações financeiras aplicada junto a instituições financeiras de primeira linha, buscando remuneração vinculada ao CDI".

A SLC Agrícola, empresa focada na produção de soja, milho e algodão, informou que não executa operações alavancadas no mercado de derivativos de câmbio. Segundo a companhia, as operações realizadas com estes instrumentos "tem objetivo exclusivo de travar margens através do gerenciamento da exposição liquida cambial e estão alinhadas" com a sua politica de gestão de riscos".

A Marcopolo foi a única até agora a detalhar seus números. Ela disse que a suas operações de proteção para exportações levaram a uma perda financeira de US$ 115,1 milhões. Mas ela ressaltou que esse montante está coberto pelos contratos de exportação que somavam US$ 118,9 milhões até o último dia 24. "Os efeitos da flutuação do câmbio não afetarão de forma significativa os resultados da companhia", diz a Marcopolo.

Os frigoríficos Marfrig e Minerva também enviaram nota para tranqüilizar acionistas e informar que não registraram perdas financeiras em operações com derivativos de câmbio. A Marfrig disse que não pratica transações alavancadas de derivativos ou similares que não tenham como objetivo a proteção das operações internacionais da empresa, que tem 70% da receita formada por moedas estrangeiras. O frigorífico reforçou que tem saldo sólido e "política conservadora" de gestão financeira.

O Minerva apresentou ao mercado o mesmo tipo de explicação e afirmou que não terá nenhuma perda com transações de derivativos alavancados durante o trimestre. Segundo a nota, a empresa tem uma política de hedge que inclui cenários de grande volatilidade.

"Desta forma, a companhia acredita estar devidamente preparada para passar sem sobressaltos por este período de forte volatilidade no mercado financeiro", informa o Minerva.

(Valor Online)

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