Embora evite falar sobre os impactos do plano de demissões no Brasil, a mineradora anglo-australiana Rio Tinto já vem dispensando empregados em Corumbá, Mato Grosso do Sul, onde tem sua principal operação no País. Dois ex-funcionários estiveram ontem na sede do sindicato da categoria em Corumbá para homologar as rescisões contratuais.

Ambos foram demitidos na semana passada e dizem que havia outros na mesma situação em seus departamentos.

A companhia não informa o número de demitidos, mas alega que se trata de um "processo constante de readequação" do quadro de funcionários. "Há uma média de cortes de 1% do quadro por mês, o que dá mais ou menos seis funcionários", disse ao Estado um porta-voz. A mineradora tem 600 empregados diretos e 300 terceirizados na cidade, por meio da subsidiária Minerações Corumbaenses Reunidas (MCR).

"Me disseram que ia ter uma redução de quadros na minha área e que eu seria dispensado", contou o pintor Fred Bravo, de 39 anos. Com pouco mais de quatro anos de casa, ganhava R$ 600 por mês e diz que vai sentir falta do auxílio-escola que recebia da companhia, de R$ 180 para cada um dos três filhos.

Até o início do mês, a Rio Tinto garantia a manutenção do plano de investimentos na cidade, orçado em R$ 2 bilhões. O objetivo era ampliar a capacidade de produção de 2 milhões para 22 milhões de toneladas por ano em 2015. Alguns equipamentos para o novo porto da companhia já chegaram à cidade, mas há dúvidas sobre o ritmo em que o projeto será tocado.

Ontem, o gerente-geral da MCR esteve no Rio para reunião com a cúpula da subsidiária brasileira. A Rio Tinto não comentou as possibilidades de demissão em massa no País. A empresa ainda tem duas participações minoritárias em projetos na região Norte, que não devem ser afetados.

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