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Como a internet mudou o jogo do cinema

Como a internet mudou o jogo do cinema Por Buno Galo e Lucas Pretti São Paulo, 07 (AE) - Não é simples fazer juízo de valor quando o assunto é o impacto da era digital no cinema. Tanto a pirataria, termo reducionista na realidade atual, quanto a publicidade e os bons usos da tecnologia digital podem ajudar ou prejudicar a exibição de um filme.

Agência Estado |

Isso porque o modelo de negócios ainda está colocado sobre uma lógica antiga: alguns fazem e vendem para outros consumirem. Na prática, isso já mudou. Mas falta o mundo do cinema enxergar a nova realidade.

O cerne da questão está no interesse de ambos os lados do jogo. O consumidor conectado à web quer assistir aos mais variados filmes e tem como consegui-los de graça, mesmo que ilegalmente. Os estúdios querem os consumidores assistindo a determinados títulos (os que estão no cinema ou em DVD) e pagando (às vezes caro) por eles. Não haverá entendimento enquanto as motivações assim se mantiverem.

Analisemos o último exemplo grande de "pirataria": "The Dark Knight", o filme do Batman, foi o mais baixado pela internet em 2008, segundo o site TorrentFreak, encostado no líder de todos os tempos, "Titanic" (2001). Isso ocorreu por causa da instantaneidade da rede e do poder de compartilhamento.

Mas o fenômeno da pirataria não impediu que "The Dark Knight" também fosse a maior bilheteria de 2008 e uma das maiores da história: quase US$ 1 bilhão. O filme foi um sucesso estrondoso, apesar do chororô de Hollywood. "A pirataria é a maior ameaça à indústria do cinema. Perdemos US$ 18 bilhões por ano", afirmou ao Link Dan Glickman, presidente da Motion Pictures Association (MPA), associação que congrega os maiores estúdios de cinema dos EUA. Mas o que explica a contradição entre pirataria e consumo "legal" ocorrendo concomitantemente? O fato de que a internet pode até ser a vilã, mas é também a mais nova mocinha dos estúdios.

A estratégia de publicidade de "The Dark Knight" foi ostensivamente via web. A internet, portanto, ajudou e prejudicou a Warner.

Nem sempre os produtores sabem o que fazer diante de um novo modelo de negócios. O primeiro impulso é negá-lo. Um exemplo célebre foi o brasileiro "Tropa de Elite" (2007), que chegou às ruas e computadores antes da estreia. Um ano depois, José Padilha, o diretor, ainda combate a pirataria.

Falar com produtoras sobre a troca de arquivos (legal? ilegal?) pela internet é pedir para ser recebido com mau humor. Descobrimos um blog apócrifo escrito supostamente pelo cineasta, o eduardocoutinho.blogspot.com. A página reúne informações sobre os filmes do diretor e disponibiliza para download em formato torrent os arquivos digitais. A Videofilmes nega a autoria e diz que tomará providências. Cabem duas perguntas: o blog não serve para divulgar os filmes? As pessoas estão dispostas a pagar por algo que poderiam ter de graça?
Para o escritor inglês e "defensor dos piratas", Matt Mason, autor de "The Pirate’s Dilemma", a resposta é sim. "Ao baixar um filme de forma legal o consumidor está comprando um produto seguro, longe de vírus e pronto para ser visto", disse Mason.

Os downloads legais são o caminho que parece mais agradar às produtoras. Não é de espantar. A produção e a exibição com tecnologia digital começam a se popularizar. Quanto mais os filmes abandonarem a película, mais vantajoso será para os estúdios.

Se um dilema ficou para trás, outros dois já se avizinham. Adianta vender por download e manter a trava contra cópias chamada de DRM (como o iTunes)? E o que fazer para impedir a ação de hackers contra mídias físicas? O Blu-ray, mídia de alta definição que promete substituir o DVD, tinha proteção prevista para "resistir" ao menos dez anos. Foi violado no final do ano passado.

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