O Comitê de Finanças do Senado dos Estados Unidos aprovou, por 18 votos a cinco, a nomeação de Timothy Geithner para o cargo de secretário do Tesouro. A decisão ainda tem de ser referendada pelo plenário da Casa, o que deve ocorrer na próxima segunda-feira.

Geithner foi bastante pressionado durante a sabatina, especialmente por senadores republicanos, por falhas no pagamento de impostos. Sua confirmação no posto se atrasou por causa da descoberta de que ele não pagou cerca de US$ 34 mil em impostos entre 2001 e 2004, quando trabalhou no Fundo Monetário Internacional (FMI).

O Fisco fez uma auditoria em suas declarações de renda e descobriu que Geithner não saldou dívidas relativas a dois anos. Ele pediu desculpas ao comitê, admitiu que os erros eram "evitáveis", mas garantiu que não foram intencionais.

Entre os que votaram contra a indicação esteve Jon Kyl, republicano número 2 na hierarquia do Senado. Ele questionou a franqueza de Geithner nas respostas sobre sua situação fiscal. "Estou triste ao dizer isso, porque queria muito apoiar essa nomeação", afirmou.

O presidente do comitê, o democrata Max Baucus, disse que o nomeado respondeu as questões a contento. A maioria dos membros do comitê expressou suas reservas quanto aos erros cometidos por Geithner no pagamento dos impostos, mas poucos consideraram tais incorreções suficientes para desqualificá-lo para o cargo.

Geithner, que preside a unidade de Nova York do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), disse aos senadores que sua principal prioridade será melhorar o sistema de regulação americano. Segundo ele, o governo quer reforçar a capacidade do sistema financeiro para enfrentar crises. "A arquitetura de nosso sistema financeiro é pouco sólida e inadequada", disse. "Precisamos voltar a desenhá-la completamente."

Geithner recebeu, previamente, vários questionamentos dos senadores, aos quais respondeu por escrito - o que resultou em um documento de mais de 100 páginas.

Nessas respostas, ele afirmou que apoia o compromisso do Tesouro para um dólar forte e disse que a administração do presidente Barack Obama acredita que a China manipula o valor de sua moeda. "Um dólar forte é do interesse nacional da América", disse Geithner.

"Manter a confiança no vigor de longo prazo da economia dos EUA e a estabilidade do sistema financeiro dos EUA é bom para a América, assim como para nossos parceiros comerciais e de investimentos."

Suas respostas sobre câmbio foram as que mais chamaram a atenção. Tanto que o dólar se valorizou ante diversas moedas ontem por causa disso. No início da noite, o euro caía 0,3% em relação à moeda americana, pra US$ 1,30.

A uma pergunta da senadora republicana Olympia Snowe, Geithner escreveu que o presidente Obama, "com base em conclusões de uma ampla variedade de economistas", acredita que a China está manipulando sua moeda. "O presidente Obama prometeu que, como presidente, vai usar agressivamente todos os canais diplomáticos abertos para buscar mudanças nas práticas cambiais da China", escreveu Geithner.

O câmbio é uma questão sensível para a China. Há anos, autoridades dos EUA vêm exortando a China a se mover para um sistema de livre flutuação e têm elogiado as medidas tomadas pelo gigante asiático nos últimos meses para permitir que o yuan se valorize ante ao dólar.

Contudo, embora o yuan seja uma "parte importante" do diálogo econômico com a China, Geithner disse que o "foco imediato" tem de ser estimular a demanda tanto na China quanto nos EUA.

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