Nos sete primeiros meses de 2008, os preços das refeições feitas em restaurantes e lanchonetes já subiram mais que em todo o ano passado. De acordo com o Índice do Custo de Vida (ICV), apurado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), os custos da alimentação fora de casa cresceram 8,36% neste ano, ante 7,54% nos 12 meses de 2007.

A principal explicação para a alta vem dos próprios alimentos. Vilões da inflação em 2008, eles acumulam aumento de 9,33% no ano. "Tudo ficou mais caro, desde itens básicos como arroz, feijão e carne, como os óleos, as verduras e as frutas", observa Paulo Solmucci Junior, presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel). "Por isso, alguns donos de restaurantes e lanchonetes repassaram parte dos custos ao consumidor final."

Restaurantes pequenos ou populares foram os que mais subiram de preço. "Para o empresário que serve um prato feito, a baixos custos, a inflação pesou mais e dificultou a manutenção dos preços", afirma. "Já para quem trabalha com margens de lucro maiores , o aumento pôde ser absorvido sem tantas perdas."

A rede de lanchonetes Giraffas, por exemplo, conseguiu que o aumento repassado ao consumidor fosse de 5%, índice inferior à inflação do período. A cautela no aumento de preços foi necessária para não perder público. E isso contribuiu para o bom resultado da rede. A empresa cresceu 26% no ano e inaugurou 15 lojas, chegando a 270 unidades em todo Brasil.

Para o economista Carlos Eduardo Oliveira Junior, do Conselho regional de Economia de São Paulo (Corecon-SP), a alta dos preços das refeições fora de casa deve ser encarada até com certo otimismo. "Ela é reflexo direto do bom momento da economia." Com mais empregos, mais pessoas passaram a almoçar em restaurantes, por conta do trabalho. E com dinheiro no bolso, o consumidor também pôde jantar fora. "Assim, o aumento da procura por esse tipo de serviço também permitiu que os empresários cobrassem mais caro."

Na rede de restaurantes Bon Grillê, o crescimento de 12% nas vendas em 2008, ante os primeiros sete meses do ano passado, veio a reboque da chegada de um novo público: a classe média. "Percebemos um aumento da freqüência no fim de semana, ocasionado por famílias da classe C, e cresceram também os pedidos dos nossos pratos mais baratos", afirma.

Na rede de comida mexicana Tollocos, os donos tiveram de apertar os cintos e diminuir gastos. Tudo para não mexer no preço. "Oferecer comida boa a um preço justo é nosso diferencial. Se perdêssemos isso, perderíamos clientes", diz Daniel Peneluppi, diretor do Tollocos. "Por isso, cortamos despesas, esperando que a inflação se estabilize."

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