Os aeroportuários de todo o País anunciaram greve a partir da zero hora de hoje e pretendem atingir 12 dos 67 aeroportos administrados pela Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero) em todo o País, que respondem por 80% do transporte aéreo de passageiros. Entre eles estão Congonhas e Guarulhos, em São Paulo, Galeão e Santos Dumont, no Rio de Janeiro, Salgado Filho, no Rio Grande do Sul, e Viracopos, em Campinas (principal em transporte de carga aérea no Brasil).

O presidente do Sindicato Nacional dos Aeroportuários (Sina), Francisco Lemos, informou que a greve não tem prazo para terminar. Por se tratar de um serviço essencial, 30% do efetivo atuará normalmente. "Não deixaremos que o quadro seja inferior a isso", afirmou. Os aeroportuários atuam na fiscalização de bagagens eno controle do movimento de aeronaves nas pistas.

No entanto, Lemos adverte que o serviço ficará mais lento e poderá haver transtornos aos passageiros, como atraso nos embarques. "A prioridade será para o pouso das aeronaves que estão no ar, e não o embarque. Com o efetivo reduzido, os vôos partirão com atraso."

A categoria apresentou em maio uma proposta oficial à Infraero, reivindicando reajuste salarial de 6%, em reposição das perdas com a inflação, além de um aumento de 5,2% correspondente ao crescimento do setor aéreo no País. Os trabalhadores também pedem revisão no valor do tíquete-alimentação, de R$ 22 para R$ 25, e a instalação de plano de carreiras. "Não há um único funcionário de carreira na diretoria", reclamou Lemos. Em nota oficial, a Infraero informou que a diretoria executiva continuará a negociar com a categoria e tomará as providências necessárias para assegurar o funcionamento dos aeroportos.

Galeão

Ontem, o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), fez críticas severas à gestão da Infraero no Aeroporto Internacional Tom Jobim e defendeu que a administração seja realizada em parceria com o setor privado. "Estou muito angustiado, porque o Galeão está muito ruim", disse, ao participar de palestra na Câmara Americana de Comércio (Amcham). Segundo o governador, a administração do Galeão "é um desastre, pois não está no nível mínimo de boas condições de serviços disponíveis aos 8 milhões de passageiros". SEgundo ele, há "corredores sujos e banheiros em situações inadequadas".

Para o governador fluminense, a Infraero poderia fazer contratos com a iniciativa privada, nos moldes das concessões de estradas, metrô e telefonia. "A Infraero entraria junto, teria resultados, mas a gestão deveria ser privada, com regras de investimento e compromissos. Mas sei que o governo federal estuda alternativas para a questão aeroportuária e confio ." As informações são do O Estado de S. Paulo

*C/ Amanda Valeri e Ricardo Leopoldo

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