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Por Roberto Samora SÃO PAULO (Reuters) - As exportações de milho do Brasil cresceram 27 por cento entre janeiro e outubro deste ano, na comparação com o mesmo período de 2008, para 5,44 milhões de toneladas, de acordo com dados do governo, impulsionadas principalmente por um programa governamental que subvenciona o transporte do produto, conhecido como PEP.

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No mesmo período do ano passado, o Brasil exportou 4,28 milhões de toneladas, de acordo com a Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

E as vendas externas do cereal brasileiro, que atingiram 817 mil toneladas em outubro, devem manter o bom nível do mês passado até o final do ano, com o país embarcando produto de negociações já realizadas com a ajuda dos leilões de PEP (Prêmio para o Escoamento do Produto).

"Tem um saldo (dos leilões) que temos que trabalhar... Até dezembro, pelo menos, tem mais 1,5 milhão (de toneladas) que vai ter que exportar, que já está contratado", afirmou um trader de uma multinacional.

De acordo com ele, que pediu para não ser identificado, as exportações poderiam ser ainda maiores, no caso de o governo realizar mais leilões, pois o país tem estoques abundantes.

"Os 'line-ups' (programação nos portos) de milho estão bem altos, tem 600 a 700 mil para carregar ainda (em novembro), e tem muito barco pra chegar ainda", disse.

O Ministério da Agricultura estima as exportações de milho do Brasil no ano todo em quase 7 milhões de toneladas, ante 6,4 milhões em 2008.

"Os ganhos gradativos nos embarques do cereal devem-se às altas nos preços externos, em vista do atraso da colheita norte-americana, como também pela campanha de subvenção do governo através dos prêmios de escoamento da produção", acrescentou a consultoria AgraFNP em um relatório.

"A AgraFNP acredita que as exportações continuarão firmes no próximo bimestre, num ritmo próximo a 800 mil t mensais."

GOVERNO ADMITE

E o próprio governo reconhece que o PEP tem sido utilizado para enxugar o mercado no Brasil, avaliando que esse subsídio não pode ser considerado ilegal --o país é um defensor ferrenho de uma redução do apoio dado à agricultura pelos países desenvolvidos.

"Dentro das negociações internacionais, tem um montante em que podemos atuar no auxílio ao transporte...", afirmou o superintendente de Operações Comerciais da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), João Paulo Moraes Filho, referindo-se ao programa criado para, diante de problemas logísticos no país, permitir o transporte de alimentos a preços adequados das regiões produtoras para as consumidoras.

Em média, a subvenção do PEP paga aos produtores de Mato Grosso, o Estado com maior participação no programa do governo, gira em torno de 3,50 reais por saca de 60 kg --o subsídio equivale em alguns casos a metade do valor de mercado da saca.

A subvenção, entretanto, apenas é paga ao comerciante participante do leilão se ele comprovar o pagamento do preço mínimo estabelecido pelo governo ao produtor (13,20 reais/saca no Mato Grosso), além do escoamento do produto para fora das regiões produtoras, onde costuma haver excedente.

"Estamos, na verdade, compensando um diferencial de custo logístico, por isso que a gente atua sem problemas", disse superintendente.

Para o produto da safra 2008/09, o governo apoiou com o PEP a comercialização de 3,67 milhões de toneladas de milho cultivado em Mato Grosso, volume que representa cerca de 80 por cento do cereal negociado em todo Brasil com ajuda do PEP.

Nos programas de apoio ao milho, que incluem outros além do PEP, o governo já gastou cerca de 250 milhões de reais.

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