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Com reforma financeira na mira, Obama se prepara para nova batalha política

María Peña. Washington, 17 abr (EFE).

EFE |

María Peña. Washington, 17 abr (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, exigiu hoje ao Congresso que aprove a reforma do sistema financeiro, mas a oposição deixou claro que, da mesma forma que a batalha pelas mudanças no setor de saúde, está disposta a lutar. A aprovação da reforma na saúde no mês passado, da forma como foi, aumentou o moral do Governo Obama e revitalizou a base democrata. A pergunta na boca de muitos agora é, no entanto, se a vitória ajudará a Casa Branca a levar adiante as mudanças no sistema financeiro. "Minha esperança é de que democratas e republicanos encontrem um terreno comum e avancem juntos. O custo da inação será grande demais", afirmou Obama no discurso por rádio que costuma fazer aos sábados. A reforma, a ser debatida no plenário do Senado na próxima semana, é a prioridade política do momento de Obama, que reiterou que a crise econômica teve, entre outros fatores, origem no setor financeiro. Segundo Obama, a reforma protegerá como nunca o consumidor e obrigará os grandes bancos e companhias de cartões de crédito a fornecer informação clara sobre seus produtos e serviços. Ao detalhar as razões da reforma do sistema regulador de Wall Street, Obama teve, aparentemente, bom senso. A maioria das pesquisas mostra um grande apoio às mudanças promovidas pelo presidente. Perante os indícios frágeis de uma reativação econômica, as pesquisas refletem um certo desdém de Wall Street - em particular pelas grandes bonificações de seus executivos - e qualquer repetição dos milionários resgates bancários a custos dos contribuintes. No entanto, os republicanos, que ofereceram um verdadeiro muro de resistência à reforma de saúde, adotaram o slogan de "resgates perpétuos" para desvirtuar a legislação do senador democrata Christopher Dodd, aprovada sem nenhum voto republicano na Comissão de Bancos da Casa. Obama disse que vetará qualquer medida que não imponha limites ao mercado de derivativos, que contribuíram à crise econômica quando seus valores sofreram uma queda histórica durante a crise hipotecária. Os derivativos financeiros são sofisticados instrumentos planejados como um seguro contra os altos e baixos nos preços e cotações, mas, por sua natureza, a volatilidades pode gerar gigantescas perdas ou lucros. São conhecidos como derivativos porque seu rendimento é originário, por sua vez, do de outros bens negociados no mercado, como, por exemplo, bônus do Governo, matérias-primas, hipotecas e ações. Os derivativos, que alimentam o capitalismo global, se popularizaram na última década como mercados não regulados de aposta e especulação, o que os levou a serem apontados como o epicentro da crise nos EUA. A legislação perante o Senado prevê que o Governo, pela primeira vez, regule o mercado de derivativos, estabeleça um conselho para detectar ameaças ao sistema financeiro e inicie uma agência de proteção ao consumidor. Os 41 republicanos no Senado (total de 100) prometeram manter um bloco unido contra a reforma. O líder da oposição na Casa, Mitch McConnell, diz que a legislação institucionalizará "os perpétuos resgates dos bancos de Wall Street com fundos dos contribuintes". Os republicanos, que por ideologia se opõem à ingerência do Governo no livre mercado, se queixam que as maiores regulações terminarão asfixiando "os pequenos negócios e bancos comunitários", como afirmaram na sexta-feira em carta ao líder democrata no Senado, Harry Reid. Um dos pontos de discórdia é a criação de um fundo privado de US$ 50 bilhões, financiado pelos grandes bancos, para atenuar qualquer fracasso futuro no setor. A Câmara de Representantes já aprovou sua própria versão da reforma financeira, que terá que ser harmonizada com a que sair do Senado. O debate sobre a reforma e seus detalhes também causou divisões entre os economistas de todo o espectro político nos EUA. Mas se existe algo em que concordam é que, como as coisas estão, diante de um novo colapso financeiro outros resgates seriam inevitáveis. A Casa Branca, cuja estratégia com cada legislação foi abrandar a oposição ainda que não consiga dela um único voto, se prepara para a batalha. Hoje, em clara alusão ao desastre provocado por Wall Street, Obama disse que não se pode permitir "que a história se repita". "De uma ou outra maneira, iremos adiante. Este assunto é importante demais", concluiu Obama no discurso. EFE mp/rr
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